
PALMAS – Nessa sexta-feira (20), o Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins), por meio da Diretoria de Licenciamento Ambiental e parceiros, reuniram no auditório do órgão, técnicos, acadêmicos e sociedade em geral, para discutir o futuro dos rios e recursos pesqueiros do Tocantins.
O professor da Universidade Federal do Tocantins (UFT), doutor Fernando Pelicice, discorreu sobre os impactos da construção de barragens sobre a ectiofauna. Ele demonstrou o grande número de barragens no Tocantins, bem como as que estão projetadas. Falou também sobre as rotas migratórias dos peixes e enfocou a redução dos cardumes nas bacias dos rios Araguaia e Tocantins.
“Esse fato é concreto, é um termômetro. Segundo os pescadores, essa redução dos peixes está cada vez maior. Muitas espécies desapareceram e isso é um prejuízo para a diversidade aquática. O Estado do Tocantins é um reflexo do Brasil. A construção de barragens começou no sul e sudeste e está subindo para o norte e nordeste”, relatou.
Na visão do pesquisador em relação à polêmica sobre a interligação do Rio Tocantins com o Rio São Francisco, ele disse considerar negativa. Explicou que o Rio São Francisco está destruído devido a grande quantidade de hidrelétricas e desmatamento ao longo do rio. “O agronegócio é importante para a economia, mas é altamente insustentável, porque destrói o solo, provoca erosão e assoreamento, que resulta na destruição dos mananciais e ocorre desequilíbrio ecológico”, afimrou.
Há cerca de 20 anos pesquisando peixes das bacias dos Rios Tocantins e Araguaia, o professor da UFT e doutor em Ecologia Carlos Sérgio Agostinho também fez criticas a construção de barragens. Ele destacou que encontros com este, são bons para atualizar as informações. “É sempre importante lembrar que os impactos sempre existiram e sempre existirão. Porém, é necessário tomar atitudes para tentar minimizá-los”, disse.
Além das palestras, a programação contou com painéis sobre a situação das barragens existentes no Tocantins, bem como sua influência no meio aquático. Os participantes tiveram acesso à coleção científica de peixes da UFT, formada por peixes em processo de extinção e até já extintos. A coleção demonstrou uma variedade de mandís e pacus do Tocantins. (Redação Voz do Bico, com informações da Assessoria)