
NATIVIDADE – Com trabalho de conscientização e acompanhamento médico, a administração da Cadeia Pública de Natividade, sudeste do estado, conseguiu que os reeducandos se livrassem do tabagismo. Para atingir esse resultado, os servidores trabalharam de forma educacional com os reeducandos e com seus familiares durante três meses. Após a desintoxicação dos reclusos, o diretor editou a portaria que proíbe a entrada e utilização de tabaco nas dependências da cadeia.
Segundo Paulo Jean Silveira, diretor da Cadeia, esse trabalho veio para adequar o estabelecimento prisional na Lei Federal 12.546/2011 que proíbe fumo em local fechado, seja privado ou público, e também por questões de saúde. “A população carcerária estava apresentando casos de doenças respiratórias, então conversamos com os profissionais de saúde e como existe a lei que proíbe o tabagismo em locais com as características de nossa unidade prisional, resolvemos adotar essa medida”, disse.
Durante período que antecedeu a proibição, com o trabalho de conscientização, os reeducandos diminuíram o consumo do tabaco até o ponto que deixaram o vício, como foi o caso do reeducando P. A. R. M. “Quando entrei aqui, eu fumava um cigarro aqui, outro acolá. Depois passei a fumar vários cigarros por dia, mas com essa nova política da Cadeia, deixei de fumar em dezembro”, relatou.
Detentos fumantes relatam que foi necessário muita força de vontade para conseguir largar o vício, mas que os resultados foram animadores, como é o caso de J. P.. “Meus pais fumavam, eu aprendi a fumar quando comecei a trabalhar no garimpo, ainda muito jovem. Tenho 43 anos de idade, fumante há mais de 30. Foi muito difícil no começo, mas hoje já acostumei com a ideia, sinto minha respiração bem melhor, sinto que estou com mais saúde”, afirmou.
Outras unidades
A Cadeia Pública de Natividade é a primeira unidade prisional masculina a desenvolver o projeto, mas cinco unidades femininas já adotam essa prática com sucesso. É o caso da Unidade Prisional Feminina de Talismã que desde sua inauguração nunca permitiu a entrada de tabaco. A Cadeia Feminina de Babaçulândia não permite a entrada de fumo há cinco anos. Já a Unidade Prisional Feminina de Palmas adotou a medida há três anos. Por último, a Unidade de Regime Semiaberto Feminina de Palmas e a Unidade Prisional Feminina de Lajeado, coibiram a entrada de fumo há quatro meses.
Em todos os locais que adotaram a política antifumo, há relatos de considerável melhora na saúde dos apenados e também dos servidores que trabalham nas casas penais, melhorando o ambiente das celas. O superintendente do Sistema Penitenciário Prisional do Tocantins (Sispen), Orleanes de Sousa Alves, aposta na extensão do projeto para outras unidades prisionais. “Recebemos o sucesso desse trabalho nessas unidades e vamos buscar estratégias para alcançar bons resultados e adotar medidas semelhantes nas demais casas penais”, disse. (Divulgação / Seciju)