
AUGUSTINÓPOLIS – O deputado estadual Fabion Gomes de Sousa é o terceiro parlamentar entrevistado esta semana pelo portal Voz do Bico. Aos 60 anos, o parlamentar exerce pela sexta vez o cargo para o qual foi eleito em 2018 com 14.367 votos pelo PR (Partido Republicano) atual Partido Liberal (PL), legenda que deve deixar para ingressar no Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). Nascido em Tocantinópolis, Fabion Gomes também foi escolhido como prefeito do município em 2008 e 2012.
Nesta quinta-feira (30) será publicada a entrevista com o deputado Federal Osires Damaso e na sexta-feira (01), com a senadora Kátia Abreu. As matérias com os deputados Amélio Cayres e Jair Farias podem ser conferidas aqui e aqui.
VB: Deputado, qual é a sua expectativa com relação às eleições municipais deste ano na região do Bico do Papagaio?
FG: Estamos um pouco preocupados com o processo eleitoral sem saber o que pode acontecer quanto à pandemia de coronavírus, mas a gente espera que Deus tenha piedade de nós para que os cientistas descubram uma cura. Enquanto isso, fica até difícil falar de campanhas, pois não podemos chegar perto do público para conversar, apertar a mão. Mas essa não é a prioridade, todos os políticos precisam esquecer as eleições um pouco e tentar ver o que podemos fazer para reverter a situação. Por exemplo, todos nós, deputados, vamos tirar R$ 300 mil de nossas emendas parlamentares para ajudar o povo, porque a situação só está piorando.
VB: Então advoga que o calendário eleitoral deve sofrer alteração depois desse período de isolamento social?
FG: Acho que as eleições vão ter que esperar um pouco mais, seja pra novembro, dezembro ou até mais pra frente. Quanto às campanhas, nós cumprimos os prazos para filiações; se a pandemia diminuir, vamos definir em julho quem realmente vai ser candidato, mas por enquanto essas questões estão um pouco de lado.
VB: O seu grupo político atualmente possui pré-candidatos a prefeito em quais cidades do Bico do Papagaio?
FG: Já estamos conversando com alguns pré-candidatos. Entre os meus companheiros estão o prefeito de Luzinópolis, que tentará a reeleição; o prefeito de Tocantinópolis, que está muito bem nas pesquisas; o prefeito de Carrasco Bonito, que também tem grande chance de emplacar o sucessor; temos o Valdemar em Ananás, que é correligionário nosso; temos o Vanderly, em Aguiarnópolis; o pré-candidato Paulo Anderson, que tem muita chance de ser prefeito em São Bento. Ainda vamos fazer coligações e dar apoio àqueles candidatos a vereador e a prefeito onde não temos candidatos. Em Buriti quero que nosso grupo apresente o nome do candidato a vice-prefeito Neguim. Em Axixá, Dona Yêda, atual vice-prefeita de Nazaré; Evandro, em Palmeiras do Tocantins; Poeta, em Darcinópolis e Leninha em Cachoerinha. Também devemos ter um nome forte em Maurilândia. Já para o cargo de vereador, são mais de 40 pré-candidatos.
VB: E em Augustinópolis, o senhor já sabe quem vai apoiar?
FG: Pretendo estar junto com alguns nomes do PSL [Partido Social Liberal] de Augustinópolis, vamos ver qual prefeito eles vão apoiar. Eu planejo ser mais presente em Augustinópolis, pois é uma cidade muito importante, é a “princesa” do Bico, mas que ainda não teve muita sorte de ter um prefeito visionário e com isso se tornar uma das cidades mais desenvolvida de toda região a tocantina.
VB: O senhor considera a ideia de mudar de partido?
FG: No momento eu estou no PL [Partido Liberal], mas quando chegar o tempo para troca de filiação, talvez eu vá para o [Partido Trabalhista Brasileiro], somar junto com o presidente da Assembleia Legislativa, Toim Andrade nesta legenda.
VB: Na sua opinião, quais são os principais problemas que os prefeitos vão enfrentar na próxima gestão?
FG: A maior dificuldade vai ser na área financeira. Essa conta que está sendo feita agora será paga no futuro pelo povo – principalmente de baixa renda – através do preço da gasolina, dos alimentos… Os impostos vão aumentar de várias formas. E os prefeitos terão que lidar com uma crise muito pesada, precisão de discernimento, segurar empregos, colocar a assistência social para funcionar a todo vapor nos dois primeiros anos de mandato. Vai ser muito difícil.
VB: A região está pronta para um possível surto de Covid-19?
FG: Os municípios estão recebendo dinheiro para combater o coronavírus, mas eu pergunto: aqui na região do Bico do Papagaio, o que está tendo por enquanto? Só recomendações, nós não temos condição de tratar um paciente dessa doença, até os exames são feitos em Palmas. Então, o que está acontecendo hoje? Estão comprando cestas básicas, essas coisas, mas na área da Saúde muito pouco mesmo, nós não temos ventiladores, máscaras suficientes, tem funcionários adoecendo porque os equipamentos são usados várias vezes sem tempo para higienizar…
VB: Como o senhor analisa o papel do empresariado e a geração de empregos neste momento de crise?
FG: A hora é de união, os políticos precisam primeiro se organizar e depois conversar com os empresários. Eu recomendo ao presidente da Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento do Bico do Papagaio (Unbip) que faça uma reunião com o prefeitos da região e cobrem de forma dura o que tem que ser cobrado, pois o assunto é muito sério. Precisamos debater sobre as dificuldades de cada município, ver o que pode ser feito pelos empresários e pelo povo em geral.
VB: E neste sentido, qual será sua ação?
FG: Eu pretendo me reunir com os deputados Amélio Cayres e Jair Farias para discutir a situação do Bico do Papagaio, nós precisamos ter essa responsabilidade. Fiquei muito preocupado com os casos de coronavírus em Augustinópolis, Sítio Novo e São Miguel, então vamos ver o que podemos fazer para ajudar.
(Voz do Bico)