O que aconteceu com o Brasil?

quarta-feira, 10 de março de 2021 às 09:04
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Foto: Divulgação

*Por Alday Machado

Houve um tempo em que se ouvia a banda Titãs, do memorável Arnaldo Antunes, que reclamava “A gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte. A gente não quer só comida, a gente quer saída para qualquer parte”.

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Pois bem, com o Jair Messias Bolsonaro, se foi a comida, a diversão, a arte e já não podemos sair para qualquer parte. Temos um lockdown sem vacinas da covid-19 e, como citou um decreto de toque de recolher em Araguatins, você não pode ir para lugares diversos e isso incluiu um “etc” e tal. Mas isso pode, Arnaldo?

Mesmo não concordando com o sentido vago do “etc” do prefeito de Araguatins, cito um poeta que já falou que a “vida imita a arte”. Nada obstante à criatividade do poeta, queríamos uma vida nesse sentido, pois a arte que reflete alegria, plenitude, harmonia em nada se compara à vida de restrições, limitações, distanciamento e morte, vivida por TODO brasileiro.

A covid-19 é a maior das mazelas, mas não é a única. Temos um presidente que manda você ir buscar a vacina na “casa de tua mãe”, muito embora, ironicamente, se a maioria for à casa da mãe não vai encontrar a vacina; vai encontrar uma idosa triste, preocupada, acuada, isolada esperando numa fila interminável em busca do antídoto da vida, a vacina que, segundo Bolsonaro, pode fazer você virar um “jacaré”.

O mais lamentável é que muitos não tiveram e alguns não terão a oportunidade de “virar jacaré” (tomar a vacina) e estão tristemente morrendo nos corredores dos hospitais à espera de um respirador e/ou uma vaga de UTI.

E aí vem a pergunta novamente: O que aconteceu com o Brasil?

Já vi um amigo me dizer que o Brasil “está melhor” porque um bezerro agora vale 2.500 reais; em 2010 era 800. Outros dizem que ainda bem que a corrupção acabou (muito embora as contas do cartão corporativo do presidente estejam ocultas). A farra de 16 milhões de leite condensado, a queda de mais de 100 bilhões no valor da Petrobras, a gasolina de 6 reais e o gás de 100 podem ser razões suficientes para dizer que tudo não vai bem.

Não obstante esses argumentos, mesmo assim, diante de tamanha crise, Bolsonaro aumentou o salário do trabalhador em 40 reais, porém o filho do presidente conseguiu comprar (com muito esforço) uma casinha de 6 milhões de reais, façanha do “gênio dos empreendimentos imobiliários”, o senador Flávio Bolsonaro, aquele que chora enxugando as lágrimas (de jacaré) com a bandeira do Brasil.

Folheando duas ou três páginas atrás, em qualquer bom livro de História do Brasil, podemos ver que em 2010 o Brasil era a sexta maior economia do mundo (após dois mandatos de Lula). E agora, mesmo com o Bolsonaro se acovardando para o ex-presidente do Estados Unidos Donaldo Trump, o Brasil é a décima segunda economia do mundo.

Vão colocar a culpa no coronavírus, no jacaré, na mãe Diná, porém não lembram que o Brasil na Era Lula atravessou em 2009 a segunda maior crise econômica mundial (perdendo apenas para a crise de 1929), e ainda o país também foi assolado por uma doença letal – a H1N1 -, e essa doença matava na mesma velocidade da covid-19, porém com uma diferença, na Era Lula, vacina não fazia ninguém virar “jacaré” e pelo esforço do presidente, foram vacinados 80 milhões de brasileiros em menos de 6 meses. Vacina achava-se em qualquer postinho, eu mesmo fui vacinado num posto de saúde em Sítio Novo do Tocantins.

E agora vem a pergunta: o que ACONTECERÁ com o Brasil?

Mais que comprovados estão o golpe de 2016 e o mais ardiloso golpe de 2018 – que agora está sendo desmascarado. O patife Sérgio Moro dá as caras e agora é conhecido de todos como o arquiteto maior do processo que distorceu o resultado das eleições em 2018, aprisionando ilegalmente e retirando da disputa aquele que seria o escolhido nas urnas.

As máscaras estão caindo, sendo provável que aquele Sérgio Moro, que foi dominado pela ganância, tal como no romance de Macbeth, agora pague pelos crimes que cometeu, quando fez uso indevido da toga e das prerrogativas do estado-juiz a ele concedido.

É natural que a justiça floresça, é natural que o velho ditado “a mentira tem pernas curtas” seja convalidado, é natural que o brasileiro se recomponha e entenda o momento que está vivendo e as perspectivas que podem ser vividas dentro de um propósito de um governo voltado para o mais humilde, que tenha o entendimento de que é necessária uma política econômica que inclua os mais pobres, que incentive os meios de produção, que gere riqueza e principalmente que distribua renda. Tudo isso o país já viveu em época do governo Lula, que tinha uma política econômica que contemplava da dona de casa ao banqueiro.

O que ACONTECERÁ com o Brasil só depende de cada um, a escolha entre um MITO que deu as costas para o povo e um operário que nunca esqueceu a razão de viver de cada brasileiro.

“A gente não quer só comida…”

E muitos agora, na era do “mito”, nem isso têm.

A página vai virar. Lula lá.

Alday Machado de Oliveira é advogado e administrador de empresas.

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