Estudo aponta aumento de 22% nas mortes em geral no Maranhão em 2020

domingo, 5 de setembro de 2021 às 18:14
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Um estudo realizado pelo Grupo de Modelagem Covid-19 da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) comparou o número de mortes registradas em 2020 com os cinco anos anteriores. A pesquisa revela que o Maranhão teve quase 22% a mais de mortes durante a pandemia e os especialistas alertam que esse excesso pode ser ainda maior.

Como foi o caso da técnica de enfermagem, Antônia Santos, que perdeu a mãe e o marido para o novo coronavírus. Ela disse que o marido, um profissional da saúde, estava vacinado com as duas doses quando foi diagnosticado com a doença. “Além do meu marido, eu ainda perdi a minha sogra. Meu marido com sete dias que estava na UTI e minha sogra ela faleceu também de Covid. A gente se vê sem as pessoas que a gente ama e é muito difícil, muito difícil mesmo e foram duas perdas assim, no caso assim minha família. Nós morávamos todos juntos. Nós éramos cinco pessoas e hoje em dia eu me vejo com meus dois filhos. Graças a Deus que Deus deixou meus dois filhos”, desabafou.

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O Maranhão tem apresentado variação no número diário de óbitos por Covid, mas a média permanece alta. Uma pesquisa realizada pelo Grupo de Modelagem Covid-19 da UFMA mostra que o Brasil apresentou um excesso de mortes de 13,7% a mais do que é normalmente registrado em anos normais, sem pandemia.

No Maranhão, segundo o levantamento, houve aumento de 21,8%, o que corresponde a 7.747 mortes a mais que em 2019. Uma proporção bem superior à nacional e a sétima maior do ranking dos estados.

A pesquisa compara os coeficientes de mortalidade em 2020 com os cinco anos anteriores. O estudo mostra ainda que houve redução da mortalidade por outras doenças, como cardiovasculares (DCV) e respiratórias, e aumento de mortes por causas mal definidas.

Estudo aponta aumento de 22% nas mortes em geral no Maranhão em 2020 — Foto: Reprodução/TV Mirante

Os números de 2021 são parciais, mas mostram que serão superiores aos do ano de 2020, em relação ao excesso de mortes. Isso foi provocado pela segunda e terceira onda, além das variantes que circulam no país, inclusive a Delta, que requer mais atenção. Por isso, é importante acelerar o processo de vacinação para tentar diminuir a quantidade de mortes futuras.

O epidemiologista da UFMA, Antônio Augusto Moura, destaca que apesar de outros estados voltarem a ter um aumento no caso de mortes e hospitalizações em virtude da Covid-19, no Maranhão esta situação segue estabilizada. “A gente tava tendo no Brasil uma queda sustentada, tanto do número de caso, de óbitos e também das hospitalizações. Infelizmente essa queda já se reverteu. No estado do Rio de Janeiro essa queda já foi revertida, já tá tendo novamente o aumento dos casos, das internações e já começou a aparecer também um aumento nos óbitos. Aqui no Maranhão nós passamos de queda para estabilidade por enquanto”.

A Covid devastou a família da funcionária pública Eunice Uchoa Lopes. Ela pegou a doença e ficou 20 dias internada em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e após o tratamento se recuperou. Já a mãe dela faleceu em maio de 2020, com 89 anos, e o marido, um policial reformado, faleceu aos 62 anos de 2021. “Meu marido foi diagnosticado dia 27 de abril. Ficou internado e com dois dias já estava com 90%. Dia 1º foi intubado e dia sete ele faleceu. Fizeram tudo pra salvar a vida dele. Ele não conseguiu responder ao tratamento. Estamos aqui todos arrasados e com o coração vazio”, finalizou.

(G1 MARANHÃO)

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