O cerco se fecha e a renúncia de Carlesse é o caminho óbvio

quinta-feira, 3 de março de 2022 às 08:45
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Foto: Voz do Bico

*Por Paulo Palmares

Rei morto, rei posto. Esse ditado popular, utilizado em vários contextos, inclusive político, em síntese se refere quando alguém é destituído de sua função e, imediatamente, substituído por outro para ocupar o lugar vago.

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Pois bem. Como é da ciência de todos, Carlesse foi afastado de suas funções gerencias e políticas do Estado do Tocantins pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) e imediatamente substituído pelo vice, Wanderlei Barbosa. Sentado no “trono” do Palácio Araguaia, esse inicia o que para alguns seria um breve reinado de 180 dias, mas hoje, pelo que se ouve da fidalguia que habita o seu entono, o príncipe de Taquaruçu estava predestinado a ser rei e deve continuar com o cetro na mão comandando os destinos do seu povo e do seu território.

No início, muito timidamente, um aqui e outro acolá, jogava os búzios e apontava que os dias à frente do Governo do Tocantins seriam muito mais do que o estabelecido pela Corte de justiça. Mexe uma peça para cá, outra para lá, outras são afastadas do tabuleiro e mais outras tantas ganham mais lustre e eis que é dado a primeira tacada política. Em 07 de dezembro, o presidente do Parlamento Estadual acata pedido de Impeachment contra Mauro Carlesse. Em fevereiro é aprovada na Comissão Especial parecer prévio favorável ao andamento do pedido, bastando agora, que o plenário da Casa vote pela abertura formal do processo impeachment.

Nesse meio tempo, atos jurídicos burilados são infrutíferos e a Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) que mantenha Mauro Carlesse afastado do cargo de governador do Tocantins, afirmando que o afastamento é “imprescindível” para as investigações. Enquanto um lado exerce seu jus sperniandi, ou seja, o direito de espernear, o outro se lança ao céu de brigadeiro e, acompanhado de parlamentares, em especial estaduais, pretensos candidatos e lideranças de todas as nuances e matizes, ganha ainda mais confiança que o posto é seu e avança território a dentro, sem medo do outubro de decisões.

E talvez ninguém mais, ninguém menos para se consolidar de tanta certeza de que Carlesse não voltará do que os próprios deputados estaduais. Tanto é que a maioria dos parlamentares defendem abertamente tanto a continuidade de Barbosa à frente do Governo quanto sua reeleição, e para quem conhece as entranhas de uma campanha majoritária, sabem que a artilharia que vem dos Palácios é infinitamente mais pesada do que das forças que tentam “tomá-lo”. Isto posto, o que não lhe falta são soldados dispostos a ganhar os rincões mais distantes e impenetráveis, com o sonho de vencer junto e sentar à mesa farta dos vitoriosos, se não com o rei, quem sabe com um duque, marquês, conde, visconde ou barão, mas que a toalha da mesa tenha as cores do novo reinado.

Quanto a Carlesse, o caminho mais próximo é renunciar, opção que se ouve em qualquer roda de política, e disputar um dos cargos eletivos a serem disputados, como o senado,  que tem apenas uma vaga, ou a deputado federal, com oito postos, e ainda a deputado estadual, Casa de lei estadual com 24 assentos, onde inclusive, o governador afastado já foi presidente da Casa e cumpriu prisão no departamento de Assessoria Militar da Assembleia Legislativa, a qual foi decretada por causa de um processo de execução de pagamento de pensão alimentícia contra o parlamentar, que à época corria na comarca de Barueri-SP.

Eleito, caso Mauro Carlesse seja condenado pelos crimes que responde, ganharia das urnas um indulto, perdão coletivo concedido pelo voto popular, e teria, além do tempo, os processos voltando para a 1ª instância, e teria pelo menos mais quatro anos para se defender das acusações, protelar e jogar para as calendas tudo que hoje paira sobre seu chapéu panamá, e, no andar de nossa justiça, condenação que talvez nunca virá.

*Paulo Palmares, 59, é diretor responsável do portal Voz do Bico

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