
*Por Angelo Cavalcante
Partiu para fazer o que sempre fez e levou uma facada.
Levou uma facada…
Não…
…Não foi de um assassino contumaz; de um desvairado ensandecido e fora-de-controle; de um sociopata… Um psicopata!
Não foi!
A senhora de sorriso fácil e sincero foi às lidas das suas aulas e sentiu, apenas sentiu uma lâmina dura e cortante abrindo suas carnes.
A faca deslizava, escorria, passeava sobre seu lado como se seu dorso fosse de manteiga; como se fosse talvez, de papel de seda ou mesmo que fosse de cera.
A professora sorria para seus alunos, mostrava gravuras, fazia identificações; cognitiva, construía, fazia relações e as conversas fluíam alegres, claras e sapientes.
Até que uma faca suspendeu a aula; os alunos, entre gritos de desespero e agonia, correram; correram porque facas não combinam com escolas; revólveres não dialogam com a sala-de-aula; lâminas não fazem conta, não conjugam verbos ou descrevem pronomes.
O sangue da professora jorrando na escola não gera tabuada, não soluciona álgebras, não trata de relevos ou dos movimentos das populações por viver.
Não traça uma linha da redação; não faz fluência no inglês e não narra histórias.
O sangue da professora não faz cognição; esparramado, embrutece; rouba a sensibilidade e a delicadeza dos encontros diários por fazer, construir educação, por edificar seres políticos e educados.
O assassino… O assassino da velha mestra – Meu Deus – era um menino de treze anos.
Treze anos
Treze anos
Treze anos
Com tal idade não há tempo para tanto ódio, tanta cólera e violência.
Quem tem treze anos não possui passado para odiar.
De onde… De onde veio o ódio que matou a professora?
De onde?
Angelo Cavalcante – Economista, professor da Universidade Estadual de Goiás (UEG) Itumbiara.
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