Agora tudo é culpa da Geração Z

terça-feira, 29 de abril de 2025 às 10:36
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Daiane Silva é Estudante de jornalismo da Universidade Federal do Maranhão (UFMA). – Foto: Arquivo pessoal

*Por Daiane Silva

Nos últimos tempos, abriu-se a temporada de caça: qualquer problema no mercado de trabalho, na cultura, na comunicação, no comportamento – pronto, culpa da Geração Z.

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Antes de avançarmos para esse tribunal popular, é importante situar quem são os acusados: a Geração Z é formada por jovens nascidos entre meados dos anos 1990 e o início dos anos 2010. É a primeira geração totalmente imersa na era digital, acostumada a receber informação na velocidade de um clique e a viver em redes que são, ao mesmo tempo, janelas e espelhos do mundo.

Grandes colunistas não têm economizado adjetivos para criticá-los. O argumento mais repetido é que esses jovens são impacientes. Não querem esperar anos por uma promoção; querem que suas ideias sejam ouvidas agora, que seus valores sejam respeitados agora, que seu salário seja justo agora. Para críticos, falta à Geração Z algo que sobrou em outras épocas: resiliência para atravessar processos demorados, aceitar hierarquias e “pagar o preço” do crescimento profissional.

Outros ainda vão além: dizem que a comunicação interpessoal dos Z é frágil. Que eles evitam o olho no olho, preferem mandar mensagens de texto a ligar, e se angustiam diante de críticas presenciais. Como se a habilidade de falar “ao vivo” tivesse sido substituída pela fluência nas telas.

E não para por aí. Há quem acuse essa geração de ser emocionalmente frágil – uma juventude que fala abertamente sobre saúde mental, mas que, para alguns analistas, parece incapaz de suportar pressões rotineiras sem colapsar. Em empresas mais tradicionais, essa postura gera incômodo: se antes o ideal era aguentar calado, agora é reclamar, pedir acolhimento, questionar políticas.

Mas será que toda essa enxurrada de críticas conta a história inteira?

Talvez seja mais honesto enxergar que cada geração é moldada pelo tempo que vive. A Geração Z nasceu em meio a crises econômicas sucessivas, pandemia global, colapsos ambientais e um mundo onde empregos tradicionais são cada vez mais inseguros. Cresceram vendo adultos infelizes em carreiras que odiavam e decidiram que, se é para investir a vida em algo, que seja significativo para eles.

Apressados? Talvez. Inconformados? Com certeza. Mas essa inquietação também os torna inovadores, adaptáveis e conscientes de causas sociais que outras gerações demoraram décadas para abraçar.

Culpar a Geração Z por tudo que nos incomoda é confortável – e também injusto. Mais do que apontar dedos, o que precisamos é construir pontes. Entender que o choque entre gerações é inevitável, mas também pode ser fértil. Porque, no final das contas, o futuro não vai se adaptar aos velhos modelos; são os velhos modelos que terão de encontrar espaço nesse novo futuro.

E nisso, gostemos ou não, a Geração Z tem muito a ensinar.

Daiane Silva é Estudante de jornalismo da Universidade Federal do Maranhão (UFMA)

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