
ARAGUATINS – As vivências acadêmicas se transformaram em páginas e capítulos no livro “Tecendo retalhos na educação: entre coletivos, movimentos e territorialidades no norte do Brasil”. A produção, construída por docentes e acadêmicos, foi lançada na última sexta-feira, 22, na Universidade Estadual do Tocantins (Unitins) Câmpus Araguatins.
O evento que marcou a conclusão da obra ocorreu na quadra de esportes da instituição e contou com a participação ativa de estudantes, professores, convidados e dos escritores. A abertura foi marcada pelo pocket show do artista amazônico, Vinícius Britto. Durante o momento, houve partilha dos processos, passos traçados pelos autores e de como transformar as experiências em viagens técnicas, projetos e atividades culturais se tornaram essenciais para o processo de formação profissional de cada um dos participantes.
Para a docente do curso de Letras e Pedagogia e uma das organizadoras do evento, Carmen Adsuara, o lançamento do livro foi um evento significativo. Segundo ela, a ação valorizou a intelectualidade orgânica do Bico do Papagaio, “por meio da partilha da produção dos acadêmicos de Pedagogia e Letras do Câmpus de Araguatins, que transformaram suas vivências em textos críticos e reflexivos, com compromisso social. A partir dessa experiência, os acadêmicos inspiraram e potencializaram novos processos de publicação, em outros contextos e instituições, conforme já nos foi relatado. Dessa forma, está sendo uma grande alegria ver as reverberações desse momento. Agradeço a Unitins pela acolhida sensível e engajada da proposta. Sem a equipe do câmpus, isso não teria sido possível”, afirmou.

Em consonância, a docente do curso de Pedagogia, Eliania Pereira Pinheiro também menciona a relevância da obra por trazer à tona debates profundamente conectados com a realidade do território, com o cotidiano das aulas e com as experiências vividas e compartilhadas por educadores e educadoras. “Participar da obra escrevendo um capítulo foi uma oportunidade singular: por meio dele, pudemos relatar nossa vivência e, ao mesmo tempo, fortalecer a parceria na luta pelos direitos ambientais e sociais da comunidade Diamante, em Itupiranga/PA. Poder tecer um pouco desses saberes coletivos e contribuir com esse movimento foi uma experiência extraordinária, repleta de sentido e pertencimento”.
“O livro nasceu de uma conversa minha com a professora, Carmen Adsuara, porque nós estávamos compreendendo o quanto a educação é um espaço de promoção de saúde no contexto da psicologia e sobretudo da saúde mental. Nós somos profissionais que há muito tempo trabalhamos com a educação e temos a mesma como base não somente transformadora de uma sociedade de mudança, de igualdade, de justiça social, mas também de promoção de saúde. Então, é uma coletânea, uma organização de três professores que estão em sala de aula promovendo saúde mental a partir do processo educacional”, explicou o analista educacional e psicólogo da Secretaria Municipal de Educação (Semed) de Palmas/TO, Robenilson Moura Barreto.
A acadêmica do 6º período de Pedagogia e uma das escritoras do capítulo “Reverberações de um encontro entre pedagogos em formação e o Movimento dos Atingidos por Barragem (Mab) a partir de uma aula de campo sobre a Hidrovia/Araguaia Tocantins, na Comunidade Diamante, em Itupiranga/PA”, Vitória Labres Rodrigues comenta que participar da escrita do livro foi desafiador.

“Participar da escrita de um dos capítulos do livro foi um pouco desafiador, porém muito gratificante, pois tive a oportunidade de relatar sobre minha vivência, a partir de uma aula de campo, realizada na comunidade Diamante, localizada em Itupiranga no estado do Pará. O relato de experiência se encontra no primeiro capítulo do livro e aborda a história de vida desta comunidade ribeirinha, que está constantemente na luta para proteger seu território. Transformar essa vivência em um texto acadêmico, me fez refletir sobre meu papel como futura pedagoga, e como posso contribuir para a formação de cidadãos críticos e conscientes. Este livro trata de realidades existentes em nossa região, conhecimentos estes que poucos conhecem, mas que todos deveriam conhecer”, comentou a acadêmica, Vitória Labres.
“Foi uma honra participar do lançamento do livro ‘Tecendo retalhos na educação: entre coletivos, movimentos e territorialidades no Norte do Brasil’. Nele, tive a oportunidade de contribuir na construção do primeiro capítulo. As vivências ali compartilhadas me fizeram refletir sobre a importância de seguir a carreira de professor. Embora seja desafiadora, essa trajetória é extremamente gratificante, pois encontro prazer em participar ativamente na formação de cidadãos críticos e conscientes, que lutam por uma sociedade mais democrática, justa e inclusiva. Em síntese, toda a discussão nos levou a refletir sobre a importância de se tornar um professor/pesquisador dentro da área da educação, para compreender melhor as distintas realidades presentes tanto no Norte do Brasil quanto em outras regiões do país, reconhecendo a diversidade cultural, social e econômica que caracteriza o nosso território. Tendo o meio acadêmico como um espaço valioso para iniciar pesquisas que transformam vivências em textos, contribuindo para a defesa de direitos, promoção de justiça social e implementação da formação acadêmica”, compartilhou o acadêmico do 6º período de Pedagogia, Cristian de Sousa Barros.
O diretor do Câmpus Araguatins, Sérgio Mendes, avaliou como positiva a criação de um exemplar que registra experiências científicas dos acadêmicos e docentes. “O evento de lançamento da obra foi um momento de grande relevância para o Câmpus Araguatins e para toda a comunidade acadêmica da Unitins. Este livro reafirma nosso compromisso institucional em promover uma educação conectada com a realidade local, que valoriza os saberes do território e transforma vivências em conhecimento científico e crítico. Ver estudantes e professores protagonizando essa produção coletiva nos enche de orgulho, pois evidencia o papel da universidade como espaço de inclusão, inovação e resistência, comprometida com a transformação social e com o fortalecimento das lutas que dão voz às comunidades do Norte do Brasil”.

“Para nós, do curso de Pedagogia, é uma alegria imensa ver nossos acadêmicos e docentes contribuindo ativamente na construção desta coletânea, que traduz em palavras a riqueza das experiências formativas vividas em sala de aula e em campo. O livro é um testemunho do quanto a prática pedagógica, quando associada à pesquisa e à extensão, potencializa reflexões profundas sobre a educação, a diversidade e a justiça social. Cada capítulo é um pedaço de história que fortalece nossa identidade como curso e como comunidade, reafirmando o papel transformador da Pedagogia na formação de profissionais críticos, conscientes e comprometidos com a realidade do nosso território”, reiterou a coordenadora do curso de Pedagogia, Ana Irene Carneiro.
Sobre o livro
O livro “Tecendo retalhos na educação: entre coletivos, movimentos e territorialidades no norte do Brasil” é uma coletânea organizada por Robenilson Barreto, a docente de Psicologia da Universidade Federal do Tocantins (UFT) Câmpus Miracema, Daniela Ponciano e Carmen Hannud Adsuara.
Ele reúne 18 capítulos escritos por professores, estudantes e pesquisadores do Tocantins e do Pará, com foco em práticas pedagógicas e experiências acadêmicas enraizadas nas realidades educacionais da região Norte do Brasil
A proposta da obra é valorizar saberes e vozes muitas vezes invisibilizadas na ciência oficial, especialmente aquelas que nascem em comunidades, escolas públicas, movimentos sociais e coletivos locais. O livro é comparado a uma “colcha de retalhos”, pois cada capítulo traz uma experiência ou reflexão que, juntas, formam um mosaico sobre a educação, a inclusão e as lutas sociais na região
O livro é um ato político e epistemológico de resistência, que busca construir uma ciência mais humanizada e conectada com os territórios e sujeitos que vivem e fazem a educação no Norte do Brasil.
(DICOM UNITINS)












