Influencers são um dos principais perigos à sobrevivência de tribos isoladas, diz entidade

quinta-feira, 30 de outubro de 2025 às 09:03
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Indígenas na Ilha Sentinela do Norte, no Índico: agressivos com visitantes — Foto: Reprodução

A ideia é viralizar. Geralmente, eles atingem o objetivo. Mas também a sua irresponsabilidade “viraliza” de outra forma.

Influencers de viagem em busca de cliques estão colocando em risco a sobrevivência de tribos isolados em várias regiões do planeta. Uma entidade alertou que criadores de conteúdo que viajam pelo mundo representam uma ameaça terrível para essa populações, expondo-as a doenças desconhecidas, com potencial para exterminar a maioria delas em uma década.

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“Os resultados do contato são catastróficos: as mortes devastadoras e previsíveis de crianças, pais, irmãos e amigos em escala genocida”, declarou a defensora dos direitos indígenas Survival International em relatório publicado pelo jornal “The Times”, de Londres (Inglaterra).

No artigo, intitulado “Povos Indígenas Isolados: no Limite da Sobrevivência”, o grupo destacou que existem 196 grupos indígenas isolados em todo o mundo. Impressionantes 95% estão concentrados na Floresta Amazônica, enquanto o restante está espalhado pela Ásia e Pacífico.

Cerca de 90 dessas tribos antigas estão sob ameaça de turistas, missionários e “um número crescente de influenciadores que entram em territórios e buscam deliberadamente interagir” com essas tribos — apesar de o contato ser expressamente proibido em muitas regiões. Essa invasão crescente é potencialmente catastrófica, pois “apenas um indivíduo forçando o contato poderia matá-los a todos por meio da exposição a patógenos desconhecidos”, assim como aconteceu com os colonos europeus com os nativos americanos, segundo o relatório.

Sentineleses tentam afugentar forasteiros — Foto: Reprodução/Instagram
Membros de tribo na ilha Sentinela do Norte — Foto: Reprodução/Instagram

A Ilha Sentinela do Norte — “uma ilha proibida no Oceano Índico que abriga o povo indígena mais isolado do mundo, os sentineleses” — tem sido um destino favorito para muitos desses caçadores cliques.

O relatório afirma que Miles Routledge, um aventureiro britânico com mais de 177 mil seguidores no YouTube, teria se gabado de “planos detalhados para visitar a ilha”.

O britânico havia “afirmado que dados de satélite mostram que as autoridades indianas não estão monitorando a ilha adequadamente, facilitando sua chegada ilegal”. Ele até planejava mudar o nome em seu passaporte para poder entrar na Índia sem ser notado.

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