Assim caminha a humanidade

terça-feira, 27 de janeiro de 2026 às 09:24
200
Foto: Arquivo pessoal

*Por Angelo Cavalcante

A Gestapo de Trump – sua polícia de fronteira – impiedosamente caça pessoas; tal qual as tropas do conquistador espanhol Hernan Cortez caçava indígenas, essa polícia brutal e assassina persegue latinos; invade suas casas, agride mulheres e idosos e aprisiona “perigosas” crianças de cinco anos… Tudo em nome da segurança nacional.

Publicidade

Até aí, tudo bem… A ICE seguia fazendo sua “limpeza” sem maiores problemas até matar duas pessoas brancas, dois típicos americanos… Aí, é claro, não pode!

É que matar, humilhar e prender negros ou latinos, isso pode; já americanos brancos, anglo-saxões e protestantes… Aí não!

Minessota e todos os Estados Unidos, não por menos, estão de pé, em ponto de guerra civil contra a morte dos estadunidenses.

Bom… O nazifascista Estado de Israel já eliminou mais de sessenta mil pessoas palestinianas; para mais de vinte mil são crianças de até doze anos.

Está tudo bem… É para a segurança de Israel! Do “povo eleito”!

É uma afronta, uma humilhação por dia e o direito internacional – embasbacados, estamos assistindo – não vale o papel em que está impresso…

A potência dos Estados Unidos, por sua vez, perdeu seu pudor, suas vergonhas e resgata uma doutrina do século XIX, doutrina essa, toda ela assentada na força, na violência e no militarismo para afirmar que toda a América Latina é exclusiva “área de influência” dos norte-americanos.

Repara… A ampla e genérica terminologia “área de influência” é mesmo um eufemismo cínico e deslavado para não dizer: “quem manda aqui sou eu!”.

O mundo, é claro, reage… Com as barbas e os bigodes de molho, China e Rússia se afiam, se articulam, se juntam e se preparam para o pior e dobram investimentos em defesa.

O governo do czar Vladimir Putin, não por menos, ativou todo o seu arsenal nuclear e o dispôs em plena prontidão.

A Guerra Fria e encerrada com o fim do Império Soviético em 1991, virou “fichinha”, “brincadeira de criança” ante ao atual quadro de guerra, ódio e bastante acelerada corrida armamentista.

Pelo bem e pelo mal… Um novo ordenamento global vai se fazendo, se compondo diante de nossos olhos, lançando, de imediato, a velha Europa, sempre caudataria e subserviente aos mandos e interesses dos Estados Unidos, em notável e destacada posição marginal e tangenciada; em resumo, a Europa já é periferia do novo sistema global que vai despontando. Virou espécie de “América Latina temperada”!

E para onde caminha a humanidade?

Ora… Difícil dizer mas se supõe que em um cenário de dúvidas, riscos e muitas incertezas como o que estamos afundado e para justamente, evitarmos o extermínio, a obliteração e a guerra perpétua, dos caminhos da humanidade (ou do que restou dela), resta o resgate do direito internacional, dos acordos, dos tratados e claro, do seu respectivo cumprimento.

Territórios devem ser respeitados! Estamos a ver, por exemplo, a tirânica intromissão dos Estados Unidos na Groenlândia, aliás, território indígena; aos que não sabem, os indígenas desse “continente de gelo” são chamados de “povo inuit”; sendo o povo kaallait, habitantes do oeste; os tunumiit, moradores do leste e os; inughuit, são os que vivem no norte da Groenlândia.

Digam uma coisa… Essa gente será respeitada ou estará perpetuamente sujeita aos humores de disputas transcontinentais?

Outro caminho possível é a re-centralização do debate ambiental. O drama ecológico não está superado, por sua grandeza e importância está modificando, alterando a estrutura e os ciclos da Terra e para não nos convertermos em artrópodes e que rastejam por debaixo de pedras e troncos, temos que estabelecer efetivos caminhos de real integração com as sobras, com os fiapos de natureza e ainda existentes.

Em síntese, mais do que aprendermos com as formas de vida dos indígenas, o mundo DEVE ser indígena.

Por fim, ainda temos caminhos, de fato, são poucos, mas ainda temos… Aqui se está tratando de uma consciência universal acerca de importante categoria, por sinal, corajosamente defendida pela diplomacia brasileira nos autos de fundação da Organização das Nações Unidas (ONU) e assim descrita como SOLIDARIEDADE INTERNACIONAL e que simbolicamente, alarga fronteiras nacionais, enfraquece nacionalismos exasperados e extremados afirmando ao mesmo tempo, os povos como povos do mundo, irmãos e irmãs, filhos e filhas da Terra.

Eis dos caminhos possíveis ou… Poeira!

Angelo Cavalcante – Economista, professor da Universidade Estadual de Goiás (UEG), Itumbiara.

O texto acima expressa a visão de quem o assina, não necessariamente do Portal Voz do Bico. Se você quer publicar algo sobre o mesmo tema, mas com um diferente ponto de vista, envie sua sugestão de texto para [email protected]

-- Publicidade --