
Pesquisadores registraram a explosão de rádio mais longa já observada no Sol. O fenômeno durou impressionantes 19 dias, entre 21 de agosto e 9 de setembro, superando com folga o recorde anterior, que era de apenas cinco dias. A descoberta envolveu múltiplas espaçonaves monitorando simultaneamente nossa estrela.
O evento foi identificado inicialmente pela missão Solar Orbiter, da European Space Agency (ESA). Dias depois, o fenômeno também apareceu em observações das sondas Wind, Parker Solar Probe e STEREO-A, segundo informações do portal IFLScience.
Para quem tem pressa:
- Explosão de rádio solar durou 19 dias consecutivos;
- Recorde anterior registrado no Sol era de cinco dias;
- Evento foi observado por quatro missões espaciais diferentes;
- Fenômeno pertence à categoria de explosões Tipo IV;
- Emissão surgiu em estrutura magnética chamada helmet streamer;
- Três ejeções de massa coronal alimentaram o reservatório de elétrons.
Explosão de rádio solar durou quase três semanas.
O fenômeno observado pertence à categoria conhecida como explosão de rádio Tipo IV. Diferentemente de outras atividades solares potencialmente perigosas, esse tipo de emissão não representa ameaça direta para a Terra. Ainda assim, o evento chamou atenção pela duração inédita e pela possibilidade de ajudar cientistas a entender melhor o clima espacial.

As emissões ocorreram enquanto a estrutura responsável pelo fenômeno girava junto com o Sol. Segundo os pesquisadores, ondas de rádio desse tipo surgem quando elétrons presos em campos magnéticos solares passam a emitir radiação enquanto se movimentam.
O Sol é formado por plasma, um estado da matéria composto por partículas carregadas eletricamente. Nessas regiões externas da estrela, campos magnéticos extremamente intensos controlam o movimento dos elétrons e prótons. Quando grandes quantidades de elétrons ficam aprisionadas em determinadas estruturas magnéticas, podem surgir explosões de rádio como a observada.
Estrutura gigante no Sol alimentou o fenômeno
Os cientistas desenvolveram uma técnica utilizando dados da sonda STEREO-A para rastrear a origem da emissão. A análise mostrou que a explosão surgiu em uma enorme estrutura magnética da coroa solar conhecida como “helmet streamer”.
Essas estruturas possuem formato semelhante a funis gigantescos e costumam aparecer ao redor do Sol durante eclipses solares. Segundo os pesquisadores, três ejeções de massa coronal ocorridas na mesma região abasteceram continuamente o reservatório de elétrons responsável pela emissão de rádio.
As ejeções de massa coronal são enormes explosões de plasma lançadas pelo Sol no espaço. Diferentemente da explosão Tipo IV, esses eventos podem afetar satélites, redes elétricas e sistemas de comunicação na Terra, motivo pelo qual são monitorados constantemente por cientistas.
Descoberta pode melhorar previsões do clima espacial
Apesar de a explosão Tipo IV não representar perigo direto para o planeta, os pesquisadores afirmam que entender melhor esses eventos pode ajudar no monitoramento da atividade solar durante períodos de máxima atividade do Sol.
Os cientistas também acreditam que a nova técnica de rastreamento permitirá identificar com mais precisão a origem de emissões solares complexas. Isso poderá melhorar modelos de previsão do clima espacial, área fundamental para proteger satélites, sistemas de navegação e tecnologias sensíveis à atividade solar.
Matheus Labourdette é redator no Olhar Digital.
(OLHAR DIGITAL)












