inferno é pouco!

terça-feira, 25 de agosto de 2026 às 15:17
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Economista, professor da Universidade Estadual de Goiás (UEG), Itumbiara. – Foto: Arquivo pessoal

*Por Angelo Cavalcante

Karla Cruvinel é danada!

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Além de engenheira ambiental e professora fez seu desafiador doutorado na Universidade Federal de Goiás, onde, de forma detida, pesquisou, repara bem, a qualidade dos rios, córregos, cachoeiras e mananciais que correm e perpassam pelo território goiano.

A trágica e assustadora conclusão do substantivo estudo de Cruvinel é que de 126 bacias ou conjuntos d’água e analisados em 122 municípios dessa Província, 85% estão entre a qualidade e nível que oscila por dentre o ruim, o muito ruim e o péssimo.

A professora Mariana Pires de Campos Telles coordenou o Programa ” Araguaia Vivo 2030 ” com generoso financiamento da FAPEG e conduzido e articulado pela Tropical Water Research Alliance (TWRA) .

Pois sim… Esse estudo, iniciado em 2023 e que contou com a participação de mais de 300 pesquisadores de cerca de 30 instituições logrou percorrer três mil e quinhentos quilômetros da imensa bacia do Rio Araguaia para, em primeiro, verificar a qualidade das suas águas, a quantidade e variedade de vidas e espécies que abriga e os impactos do “Agro” no Rio.

Detalhe Importante: esse fora o maior, mais denso e profundo estudo já feito sobre o Rio Araguaia e seus trágicos resultados deveriam, de fato, trazer preocupação para todas e todos.

A pesquisa, dado a dado, confirma que essencialmente, dois elementos ou fenômenos se somam, se juntam e se articulam para ameaçar o Rio, quais sejam: o agressivo e desmedido desmatamento de suas imediatas beiras e derredores e a já evidente indisponibilidade de água, ou seja o quantum aquifero e hídrico expressivamente reduzido do outrora portentoso Araguaia é, pelo menos, visível, notório e latente.

Sigamos…

Completou um ano que a remota cidade de Padre Bernardo , no círculo e imediações de Brasília, padeceu de um dos maiores acidentes ambientais de Goiás e quase ninguém soube… Ora, seu “lixão”, todo instável, arriscado e irregular, situado em um “topos” elevado e na proximidade direta de córregos, arroios e ribeiras, simplesmente transbordou, eclodiu e explodiu.

O raio do “lixão” em formato de enorme cuia estava onde jamais poderia estar, em uma das partes mais altas da cidade quando desafortunadamente tem uma das suas laterais rompidas e um fluxo tóxico e putrefato de chorume e outras imundícies começa, de forma incontida a escorrer.

O Córrego Santa Barbara que serve e abastece centenas de propriedades da cidade e de avizinhados rurais fora completamente contaminado, inviabilizando, por óbvio, o uso de suas águas para qualquer – QUALQUER – tipo de uso humano ou animal.

Na sequência e a partir da típica e costumeira lentidão das ações de governo, o Rio do Sal é também profundamente envenenado e contaminado. À época, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (SEMAD) informou da possibilidade real desse grave acidente atingir o próprio fornecimento de águas de Brasília.

Pois sim… Seguimos sem um efetivo estudo ou um conjunto de propostas sérias a envolver o drama de gestão dos milhares de “lixões” e infelizmente espraiados por todo o Goiás.

Em 1º de agosto de 2026, desses caminhões “bi-trem”, na rota Goiânia/Senador Canedo e transportando 56 mil litros de óleo diesel tomba na margem do Rio Meia Ponte. Parte dessa imensa quantidade de diesel fica na pista e a maior parte escorre em bicas e trombas para o dentro do já moribundo Meia Ponte.

O corpo de bombeiros correu para implantar barreiras fluviais e outros obstáculos para impedir uma maior contaminação.

Neste domingo, 23/08, em uma reserva ambiental entre Goianésia e Ceres, nas proximidades da GO-230, no Vale do São Patrício, um incêndio intenso e bravio consumiu, em menos de 24h, pelo menos 180 hectares dessa importante área e cheia de águas, veredas, bichos, ninhadas e pomares.

Era esperado… Tempo seco, baixa umidade, aquele capim rebaixado, amarelado e empolvoroso pelo clima penoso, caçadores e outros usurpadores fazendo das suas e sem efetivo monitoramento da área… E tem-se mais um desterro posto na Pindorama dos Guayazes.

Paro por aqui… Falta regulamentação, faltam horários mais claros, técnicas mais modernas, reorganização do fluxo de veículos; mais investimentos em pesquisas ambientais, faltam pessoas, equipes e treinamentos e, sobretudo, falta vontade e boa vontade política para entender o que de, fato, é a questão ambiental em Goiás.

O meio ambiente é a moeda do futuro ! Vale mais, bem mais que o ouro, a prata e todos os diamantes do planeta e os postulantes ao governo do Estado sequer tratam desse debate.

Jesus!!!

Bom… É bem melhor eu tomar meu ansiolítico TURBO! Está muito difícil!

Angelo Cavalcante – Economista, professor da Universidade Estadual de Goiás (UEG), Itumbiara.

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