
*Por Júlio César Cardoso
Não se trata de inveja, mas de realidade. Quem possui valor intelectual e profissional não precisa da política como cabide de emprego para sobreviver. Flávio Bolsonaro nunca exerceu atividade com carteira assinada. Desde os 21 anos, sua vida financeira depende principalmente de cargos eletivos e do dinheiro público. Sua trajetória não é fruto de mérito individual, mas parte de um projeto familiar de poder que há décadas parasita o Estado brasileiro.
A família Bolsonaro construiu patrimônio quase inteiramente a partir da política, sem oferecer ao país serviços de qualidade que justifiquem tal acúmulo. Ao contrário, multiplicaram bens e influência explorando a máquina pública. O caso das rachadinhas na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro é emblemático: conforme noticiários, Flávio apropriava-se de parte dos salários de seus funcionários e lavava os recursos ilícitos por meio de uma loja de chocolates. As investigações apontam ainda relações com milicianos e recebimento de dinheiro suspeito para financiar projetos pessoais e familiares (filme Dark Horse), incluindo custeio da vida de seu irmão nos Estados Unidos.
Esse projeto familiar de poder não se limita a Flávio. Desembarca agora no Congresso Nacional a esposa de Jair Bolsonaro, Michelle Bolsonaro, além dos filhos Carlos Bolsonaro e Jair Renan Bolsonaro — este último vereador acidentalmente eleito em Balneário Camboriú, de desempenho apagado, como o pai. O deputado federal do PL de Minas Gerais, Nikolas Ferreira, chegou a classificá-lo como uma “toupeira cega”, em referência à sua baixa cognição intelectual. Soma-se ainda o irmão de Jair Bolsonaro, também eleito para a Câmara Federal. Trata-se, portanto, de uma verdadeira dinastia política, sustentada pelo Estado e voltada para a perpetuação do poder familiar.
O episódio envolvendo Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, não é um caso isolado, mas parte de um padrão que reforça os indícios de uma trajetória política permeada por práticas questionáveis. Some-se a isso o perigo que Flávio Bolsonaro representa com o seu relacionamento com o presidente dos Estados Unidos, vínculo que já produziu prejuízos ao país e que, em um eventual governo, poderia aprofundar a dependência brasileira de agendas externas em detrimento dos interesses nacionais.
À luz desse histórico, torna-se evidente que Flávio Bolsonaro carece da legitimidade e da preparação necessárias para assumir a Presidência da República. Se o Brasil já enfrentou enormes desafios sob a liderança de Lula, sob o comando de Flávio Bolsonaro os riscos seriam ainda mais profundos, agravados por sua associação a escândalos que minam a confiança pública.
Júlio César Cardoso é Servidor federal aposentado












