Defensoria e MPE constatam fila com mais de 1.200 pacientes para cirurgias ortopédicas no HGP

quarta-feira, 21 de novembro de 2018 às 17:37
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Foto: Loise Maria

PALMAS – Um corredor repleto de pacientes, com algum tipo de lesão óssea, sobre macas frias. Esta foi a realidade encontrada pela Defensoria Pública do Tocantins (DPE) e Ministério Público do Estado (MPE) durante uma vistoria realizada no setor de ortopedia do Hospital Geral de Palmas (HGP) nesta terça-feira (20). Ao todo, 1.200 pacientes estão na fila de espera para cirurgias ortopédicas.

O total de pacientes na fila de espera representa 24% das cerca de 5 mil pessoas que aguardam por alguma cirurgia na unidade hospitalar, isto considerando as 19 especialidades distintas oferecidas, dentre cardiológicas, oncológicas, neurológicas e outras.

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Uma destas pacientes da ortopedia, que preferiu não ser identificada, afirmou já estar internada há seis meses no HGP após sofrer um acidente de moto e ter a perna esquerda fraturada em diversos pontos. Ela alegou, ainda, que a demora se deve principalmente aos constantes adiamentos da cirurgia à qual precisa ser submetida.

“Disseram que tinham duas pessoas na minha frente na fila, mas, como sempre, terminam dizendo que chega alguém de emergência e pula na frente. Nisto eu já estou aqui há seis meses e várias vezes eu fiquei de jejum porque disseram que eu ia ser operada e nada aconteceu. É um absurdo! Muito difícil, principalmente para quem é mãe de família e precisa cuidar dos filhos”, relatou a paciente.

“Eu estou há oito dias nesta maca, no corredor do hospital. Quando eu cheguei, o meu único problema era no punho, que quebrei caindo do telhado. Depois que me deram uma medicação, as minhas pernas começaram a coçar e estão cheias de bolhas enormes; nem andar eu consigo mais direito. Eu vim para me tratar e só fizeram piorar a minha vida aqui”, desabafou Clemilton Chagas, que há mais de uma semana está internado em uma maca no corredor do HGP.

Conforme o defensor público Arthur Luiz Pádua Marques, no final do mês a Justiça irá apresentar algumas respostas judiciais para a má gestão do HGP. “Já temos estas ações judiciais em curso e aguardamos pelo dia 27 agora [novembro], quando teremos algumas audiências específicas sobre estas filas para verificar o que pode ser feito e qual será a atitude do juiz perante os gestores do Estado que descumpriram todos os prazos acordados, ignorando ordens judiciais”, disse Arthur Luiz.

Para a promotora Maria Roseli, além dos problemas sistêmicos relativos à falta de abastecimento adequado e processos de trabalho inadvertidos, a situação encontrada no HGP, especificamente, na ortopedia, retrata violação do direito fundamental à saúde e direitos humanos, além do fato de que a demora excessiva na assistência poder configurar crime e prática de improbidade administrativa. (Redação Voz do Bico, com informações da DPE)

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