Apoiadores percorreram o trecho que vai do Mercado Municipal até a Câmara Municipal de Augustinópolis, onde encerraram a ação com discursos. – Fotos: Paulo Palmares/ VB
AUGUSTINÓPOLIS – Centenas de pessoas, entre populares e funcionários públicos, em um movimento inédito na história de Augustinópolis, saíram de suas casas para participar de ação em defesa do prefeito Júlio Oliveira e da manutenção de seu mandato, gritando palavras de ordem contra os vereadores suplentes que assumiram a Câmara, mais uma vez, no último dia 29 de janeiro, por foça de uma liminar proferida pela juíza Célia Regina Regis.
Com faixas e cartazes, nos discursos intermitentes os apoiadores pediam respeito à escolha feita nas urnas em outubro de 2016 que elegeu o atual prefeito com 4913 votos, 53,27% dos votos válidos. Na última quinta-feira, 6, os apoiadores percorreram o trecho que vai do Mercado Municipal, no qual houve a concentração, iniciada às 18h, até a Câmara Municipal de Augustinópolis, onde encerraram a ação com mais discursos.
SOBERANIA
Durante o percurso, vários apoiadores usaram o microfone do carro de som para manifestar apoio ao prefeito e indignação às tentativas de cassarem seu mandato. Pediram respeito aos votos que o elegeram e também à soberania da vontade popular. “Tem que respeitar o voto e a vontade do povo”, disse um. Outro já enfatizou que “Quem quiser ser prefeito tem que enfrentar as urnas”, e também questionavam a falta de condenação no âmbito da justiça. “O que ocorre na Câmara é uma condenação prévia e política, que virou obsessão, sustentada apenas em suposições”, falou uma das apoiadoras.
Em frente à Câmara Municipal, o microfone continuou sendo usado com discurso a favor do gestor e contra os vereadores suplentes, com gritos “o povo unido jamais será vencido”.
Esta não é a primeira vez que funcionários públicos e simpatizantes do prefeito Júlio Oliveira vão para o enfrentamento com os suplentes. Em duas vezes anteriores, tomaram as galerias da Câmara Municipal para manifestarem suas contrariedades com o processo de cassação contra o prefeito, como ocorre no momento atual, com a volta dos vereadores suplentes ao posto. Novamente tramita na Câmara Municipal um processo de cassação contra o gestor de Augustinópolis, o que motivou o movimento de apoio realizado nesta quinta-feira, 06.
FIXAÇÃO
No decorrer de menos de um ano, período em que os vereadores suplentes assumiram as vagas dos titulares, o prefeito Júlio Oliveira sofreu três processos de cassação. No primeiro, ele chegou a ser cassado e o vice-prefeito Vanderlei Arruda tomou posse. Porém, em menos de 48 horas o prefeito, por meio de seu corpo jurídico, conseguiu na justiça uma decisão liminar e o voltou ao cargo.
Às vésperas da sessão de cassação do segundo processo, dia três de janeiro último, os titulares voltaram ao cargo, também por decisão judicial, fizeram o julgamento e por deliberação da maioria arquivaram o processo que pedia a perda de mandato do prefeito. Quanto ao terceiro processo, os vereadores membros da Comissão Processante julgaram improcedente todas as acusações e mais uma vez arquivaram o processo.
INSEGURANÇA
Essa maratona no sense em que Augustinópolis vive há mais de um ano, fazendo da vida política e da cidade uma chacota incomum, iniciou em 24 de janeiro de 2019 durante a Operação Perfídia, quando foram afastados por decisão judicial pelo período de 180 dias 10 dos 11 vereadores augustinopolinos, por suposto recebimento de propina.
Desde estão, o cenário político local vive em estado kafkiano, que só parará com uma decisão judicial definitiva sobre o assunto, colocando de vez uma pedra no flagelo surreal reinante em Augustinópolis, onde nem vereadores titulares nem suplentes têm noção da situação real em que vivem, nem o prefeito tem a serenidade necessária para tocar a gestão com o equilíbrio imprescindível para um gestor; ou com o findar do ano de 2020, quando encerram-se os atuais mandatos e o tempo jogará um balde de água fria no ânimo de todos.
(Redação Voz do Bico)












