Saiba como prevenir e identificar casos de violência sexual infantil

sexta-feira, 12 de junho de 2020 às 12:07
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Grande parte dos abusos são praticados por pessoas da própria família da criança ou adolescente. Foto: Thinkstock.

A cartilha “Família Protetora”, lançada pelo Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH), é um guia para que pais e responsáveis saibam como identificar e prevenir riscos de abuso sexual, exploração infantil e pedofilia. O material pode ser baixado aqui.

No Tocantins, segundo dados da Secretaria Estadual de Segurança Pública (SSP-TO), só no primeiro quadrimestre de 2020, o crime de estupro de vulnerável cometido contra crianças e adolescentes de 0 a 17 anos de idade teve 35 registros. O número é maior que o de lesões corporais: 27 casos, considerando a mesma faixa etária.

Como prevenir situações de abuso

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O MMFDH elencou uma série de cuidados que os responsáveis pela criança ou adolescente devem ter para prevenir casos de violência sexual:

– Evite deixar seu filho dormir em casa de parentes ou amigos, os quais não têm conhecimento ou confiança suficiente.

– Procure conhecer os amigos dos seus filhos, como também os pais ou responsáveis. Isso facilitará a supervisão a distância quando permitir que seus filhos frequentem a casa deles para a realização de trabalhos escolares ou mesmo para a simples diversão. Procure saber também quem estará na casa para supervisioná-los. Lembre-se que o abusador geralmente é alguém conhecido da família e acima de qualquer suspeita.

– Prestadores de serviço jamais deverão entrar em sua casa sem a presença de um adulto. Também cabe aos pais orientar seus filhos para que jamais recebam sozinhos qualquer pessoa desconhecida.

– Ao atender prestadores de serviços, evite fornecer informações sobre quantos membros tem em casa, a idade dos filhos e sua rotina. Não permita que esses profissionais fiquem sozinhos em espaços da residência sem necessidade ou que venham a ter acesso a chaves.

– Oriente seus filhos e informe a escola sobre quem pode buscá-los. Ao levá-los para a escola, certifique-se de que realmente entraram na instituição com segurança. Oriente-os, por exemplo, sobre como proceder quando você for se atrasar para buscá-los.

– Jamais deixe seu filho ir sozinho para banheiros públicos em restaurantes, supermercados etc. Sempre o acompanhe ou aguarde do lado de fora, verificando se ele está seguro, mantendo uma conversa mesmo que você esteja afastado.

– Supervisione o uso da internet e mantenha o computador em local de fácil acesso a todos (preferencialmente na sala ou nos locais de passagem da casa).

– Tenha atenção no convívio de seus filhos em brincadeiras com crianças mais velhas, orientando-os que ninguém pode tocar em suas partes íntimas nem ele nas partes íntimas de outras pessoas ou crianças.

Perfil do abusador

O mais grave sobre esse assunto é que a pessoa que pratica a violência, na grande maioria dos casos, é alguém próximo à criança, acima de qualquer suspeita, que não é vista como um criminoso, mas sim, como alguém comum, “de confiança”.

Segundo o perfil levantado pelo MMFDH, o abusador geralmente é uma pessoa querida pelas crianças e adolescentes, como tio, padrasto, amigo da família etc, e que usa da violência silenciosa, da ameaça verbal ou apenas velada. Ainda, a maioria dos abusadores pertence a famílias que vivenciam problemas como uso de bebidas alcoólicas, drogas ou algum tipo de violência doméstica.

Como identificar situações de violência sexual

As vítimas costumam apresentar alguns sinais e certas mudanças em seu comportamento. Os pais ou responsáveis devem ficar atentos a alterações de hábito que ocorram de maneira repentina. Observe sempre seus filhos e verifique a presença de:

– Problemas escolares como notas baixas, isolamento, agressividade com colegas e professores.

– Insônia, pesadelos frequentes, querer dormir com a mãe ou com a luz do quarto acesa.

– Perda de apetite ou compulsão alimentar.

– Curiosidade sexual excessiva ou conhecimento sexual inapropriado para a idade.

– Desenhos e textos relacionados a situações de abuso sexual.

– Interesse por brincadeiras, filmes e jogos sexualizados.

– Instabilidade emocional ou tristeza profunda manifestos através de choros sem razão ou motivo aparente, depressão, transtornos de ansiedade, ideias suicidas.

– Incomodar-se ao ser abraçado ou ser tocado.

– Autodepreciarão do corpo.

– Comportamento extremamente tenso, uso de palavrões ou presença de gestos obscenos.

– Dor, inchaço ou sangramento em área genital ou infecção na região genital e abdominal.

– Aparecimento de hematomas no corpo.

– Ocorrência de doenças sexualmente transmissíveis.

– Falta de confiança na figura feminina ou masculina dependendo de quem é o abusador, ou repúdio por alguém que a criança a princípio deveria gostar.

O diálogo é o melhor caminho para uma infância emocionalmente saudável, não apenas se tratando de casos de violência. Se uma criança apresentar alguns dos sinais listados acima, a polícia (190) ou os Direitos Humanos (100) devem ser acionados.

(Voz do Bico)

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