
TOCANTINS – O deputado federal Osires Damaso é o 4º parlamentar entrevistado pelo portal Voz do Bico esta semana para discorrer sobre as eleições municipais deste ano. Questões como a pandemia de Covid-19 e o término das coligações nas eleições proporcionais tornam, segundo o deputado, o pleito de 2020 ainda mais desafiador para os partidos e os políticos.
Osires Rodrigues Damaso, 57 anos, foi eleito como deputado federal em 2018 com 58.726 votos. Atualmente, é o presidente do Partido Social Cristão (PSC) no Tocantins. Sua carreira política começou em 2000 com a disputa pela prefeitura de Paraíso do Tocantins. em seguida disputou uma vaga para a Assembleia Legislativa do Estado do Tocantins, ficando como suplente. Eleito em 2008 é reeleito mais duas vezes consecutiva e assumindo inclusive a presidência da Casa de Leis.
VB: Deputado, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral falou sobre uma eventual adiamento das eleições deste ano, uma matéria constitucional. O senhor acredita que é possível manter a data prevista de 4 de outubro? Ou é mais provável o adiamento?
OD: Eu vejo que as eleições podem ser adiadas até por uns 30, 60 dias, mas elas devem acontecer este ano ainda. Prorrogar para o ano que vem eu acho quase impossível, até porque teria que mudar o teor constitucional da legislação. Nós não podemos prorrogar o mandato de quem foi eleito para quatro anos para ocupar cinco, seis anos de mandato. O entendimento da maioria [dos integrantes do Congresso] é de que, para prorrogar uns 30 a 60 dias é tranquilo, é possível se tiver necessidade. Agora, quanto a prorrogar para o ano que vem, só se houvesse um colapso na Saúde brasileira em que o povo não tivesse condição nenhuma de exercer a cidadania de votar.
VB: O PSC, legenda que o senhor preside no Tocantins se encontra preparado disputar as eleições deste ano no Tocantins, sobretudo nas maiores cidades do estado? Está com chapas completas?
Com certeza. Nós estamos reorganizando o PSC e temos agora praticamente o dobro de novos filiados. O partido tinha poucos mais de três mil, agora já conta com mais de seis mil integrantes, e nós temos mais de 30 pré-candidatos a prefeito. Obviamente, daqui para as convenções é que os candidatos vão se firmar mesmo para que tenhamos um número real de pessoas que vão disputar as eleições. O partido está preparado para as próximas eleições.
VB: Quantos pré-candidatos o PSC tem na região do Bico do Papagaio?
Ainda não tenho um levantamento exato de quantos pré-candidatos a prefeito nem a vereador, até porque muitos ainda não confirmaram se serão candidatos ou não, enquanto outros podem ter demonstrado interesse de serem candidatos a prefeito, mas depois terem desistido ou decidido se candidatarem como vice-prefeito ou vereador. Mas aí no Bico do Papagaio, a nossa maior expectativa é em Augustinópolis, onde nós esperamos que seja candidato o ex-prefeito o Antônio do Bar, que faz parte do PSC. Temos também vários municípios em que as pessoas estão ainda discutindo com seus amigos para ver qual nome se sobressai para firmar a candidatura.
VB: Então, em Augustinópolis, o senhor acredita que Antônio do Bar irá assumir a candidatura mais na frente?
Ele é o nosso pré-candidato, vai depender justamente da disposição dele, vontade de Deus e do povo de Augustinópolis.
VB: O senhor já foi deputado estadual, presidente da Assembleia Legislativa e agora deputado federa. Qual será seu passo nas eleições de 2022?
O resultado das eleições municipais de 2020 é que vai dar o norte para as próximas eleições, sobre quais líderes e partidos vão sair mais fortalecidos, e criar ânimo para disputar as eleições de 2022. Está muito cedo ainda para falar de 2022.
VB: Esse é o primeiro ano em que fica proibida a formação de coligações dentro das eleições para proporcionais [vereadores]. O senhor acredita que isso prejudica ou fortalece os partidos?
É relativo. Como é o primeiro ano em que não vai ter coligação nas eleições proporcionais, a gente não tem tanta certeza, nem experiência, mas eu imagino que vai fortalecer alguns partidos. Vai depender muito do trabalho de cada líder partidário. Alguns partidos vão ter uma boa quantidade eleita de prefeitos e vereadores, mas em outras cidades, o partido vai praticamente deixar de existir. O PSC, por exemplo, nós organizamos ele em várias cidades, mas vai ter cidades em que não vamos ter praticamente nenhum candidato, nem a vereador. E já vai ter outras cidades em que vamos ter candidato a prefeito, vice-prefeito, vereadores, é considerado um partido grande lá. Temos que esperar o resultado das eleições para poder avaliar se os partidos vão crescer ou diminuir com essa nova configuração.
VB: Até que ponto a pandemia do covid-19 atrapalha o trabalho parlamentar?
A preocupação nossa no momento é muito grande com a pandemia de coronavírus e que ja esta afetando e a nos atrapalhando muito, não só nas eleições, mas no trabalho parlamentar, do cidadão, na saúde do povo brasileiro. Com certeza, a gente se preocupa muito com o povo tocantinense. Graças a Deus o Tocantins é até o momento o estado menos afetado pelo coronavírus. Justamente pela ação do governo e dos prefeitos é que o contágio do coronavírus não avançou muito. Espero que o povo continue mantendo a mesma cautela, que é pra gente sair dessa o mais rápido possível. No mais estou muito satisfeito com o processo político dentro do PSC, fizemos um trabalho tentando buscar novos rumos para o partido e tivemos a adesão de várias lideranças.
Esta semana já fora publicadas entrevistas com os deputados estadual Amélio Cayres (SD), Jair Farias (MDB) e Fabio Gomes (PL). Nesta sexta-feira será publicada a última da série com a senadora Kátia Abreu (PP).
(Voz do Bico)












