Duas queijarias clandestinas são interditadas em São Miguel

sexta-feira, 18 de setembro de 2020 às 14:45
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Produtos de matéria-prima tinham contato com sujeiras. Fotos: Divulgação/Adapec.

SÃO MIGUEL – Uma ação de combate à industrialização e ao comércio clandestino de produtos lácteos realizada em São Miguel do Tocantins culminou na apreensão e destruição de 1,7 mil litros de leite e 152 kg de queijos impróprios para o consumo, em duas queijarias clandestinas.

Os proprietários foram autuados em R$ 7 mil cada um, por serem reincidentes e por descumprimento de legislação, uma vez que eles já haviam sido interditados em 2016 e 2017 e não se regularizaram. A ação ocorreu nessa quinta-feira, 17.

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Segundo o gerente de Inspeção Animal da Agência de Defesa Agropecuária do Tocantins (Adapec), Antônio José de Caminha, a operação ocorreu após denúncias anônimas de que os proprietários destas queijarias continuavam produzindo alimentos de forma clandestina e os comercializando em estabelecimentos da região e na cidade de Imperatriz (MA). Além disso, as queijarias não possuíam registro em nenhum órgão de inspeção oficial.

De acordo com o documento de relato dos fatos, emitido pelos inspetores e fiscais da Adapec, o proprietário da primeira queijaria informou que não possuía registro de inspeção, e embora tenha feito investimento em alguns equipamentos, o estabelecimento não possuía máquina de pasteurização (obrigatória para a produção); fazia uso de bomba não sanitária em contato direto com a matéria-prima; utilizava utensílios de madeira na sala de produção; não possuía controle integrado de pragas implantado, denotado pela grande presença de moscas dentro e fora da sala de produção e até mesmo dentro do leite pronto para processamento no tanque de fabricação; e demonstrava falta de controle higiênico-sanitário no teto (presença de mofo e sujidades) e em utensílios (presença de sujidades). Também foi identificado uso de rótulo sem identificação de local de produção, tampouco selo de inspeção.

Já na segunda propriedade fiscalizada, os inspetores relataram que foi identificado indícios de produção de queijo em condições precárias de higiene. No momento da fiscalização, não foram encontrados queijos em processo de produção ou acabados. Porém, o proprietário confessou que a produção é feita diariamente e que o local estava sem os produtos porque todos haviam sido vendidos no dia anterior em Imperatriz.

“O local de produção trata-se de uma construção rudimentar, com equipamentos não compatíveis com a produção de queijos, utilização de utensílios de madeira, matéria-prima [sal] armazenada precariamente, falta de higiene geral e mal cheiro. Além disso, o proprietário não realizava qualquer tipo de seleção da matéria-prima, tampouco realizava procedimentos operacionais básicos e obrigatórios para fabricação do produto, totalmente impróprios ao consumo devido à falta de análise e seleção do leite, bem como falta de equipamentos e processos obrigatórios, como por exemplo, a análise de matéria-prima, pasteurização, controle de pragas e higiene operacional. Também não possuía registro nos órgãos competentes de fiscalização e inspeção de produtos de origem animal. Neste local, foram apreendidos 200 litros de leites prontos para a produção”, apresentou o relatório.

O gerente de Inspeção Animal da Adapec, Antonio José de Caminha, fez um alerta à população e aos comerciantes que adquirem produtos do gênero para comercialização. “É fundamental que o consumidor saiba qual é a origem do produto que ele leva para sua mesa, e o comerciante tem a responsabilidade de adquirir e vender produtos que atendam às normas sanitárias. Por isso, antes de comprar qualquer produto de origem animal, observe se este possui selo de inspeção de algum órgão oficial, seja municipal, estadual ou federal. Consumir alimentos sem procedências pode trazer riscos sérios para a saúde humana”.

Denuncie

A população pode contribuir para o combate à produção de produtos de origem animal clandestinos. A Adapec dispõe de um serviço de disque-defesa pelo número 0800.631122, através do qual pode ser feita a denúncia de forma anônima de casos de industrialização ou transporte de produtos de origem animal clandestina. Já a denúncia sobre a venda desses produtos deve ser feita diretamente à Vigilância Sanitária (Visa) do município ou estado.

A operação contou com o apoio do 9° Batalhão de Polícia Militar de Araguatins, que destacou duas viaturas da 3ª Companhia de São Miguel do Tocantins para acompanhar a ação realizada na zona rural deste município.

(Secom)

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