Bolsonaro volta a defender remédio rejeitado pela Anvisa para covid-19

sábado, 22 de janeiro de 2022 às 11:07
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Anvisa considera ineficaz o spray nasal israelense defendido por Bolsonaro para evitar a covid-19. Foto: Reprodução

BRASÍLIA – Em sua tradicional live presidencial, na noite desta quinta-feira (20), o presidente Jair Bolsonaro tornou a defender a prevenção contra a covid-19 à base de Taffix, spray nasal desenvolvido em Israel que teve seu registro negado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) na última quarta-feira (19).

A importação do medicamento é uma pauta defendida por Bolsonaro desde o início da pandemia, e mantém exposta o dissabor do presidente com a agência reguladora, que tem analisado remédios, vacinas e procedimentos para combater a pandemia que já matou 620 mil pessoas no país desde março de 2020.

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“Alguém deve se lembrar, mas no início do ano passado mandamos uma delegação nossa para Israel. Entre outras coisas, foram ver lá a questão do spray nasal para covid-19. (…) O que aconteceu em janeiro de 2022? Veja a imprensa: ‘spray nasal anticovid pode proteger de todas as variantes por até oito horas’. O Bolsonaro tem razão”, declarou o presidente, sem citar a fonte da suposta manchete.

Bolsonaro está em Paramaribo, capital do Suriname. O presidente cumpriu uma única agenda oficial de meia hora no país, e deve seguir para a Guiana, país vizinho, nesta sexta-feira (21).

A proposta da empresa farmacêutica Belcher, fabricante do spray, é que este seja utilizado para bloquear a entrada do coronavírus no nariz. A Anvisa, porém, negou o seu registro, apontando para a falta de estudos clínicos que comprovem a sua segurança e a sua eficácia.

Além de produtora do spray nasal, a Belcher também foi intermediária na conversa do Ministério da Saúde com o laboratório chinês Cansino para aquisição de vacinas. A negociação entrou no radar da CPI da covid-19 em 2021, pelo preço excessivo proposto para as doses, cada uma por US$17. Também chamou a atenção do colegiado o fato da sede brasileira da Belcher se localizar em Maringá (PR), base eleitoral do deputado Ricardo Barros (PP-PR), líder do governo na Câmara e alvo de investigações pela CPI.

(CONGRESSO EM FOCO)

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