
O dólar sobe frente ao real, nesta segunda-feira, 1, refletindo a maior cautela de investidores estrangeiros com o cenário interno. Em um dia positivo para o mercado de capitais, o real destoa das principais moedas emergentes, que se valorizam. Às 14h20, o dólar comercial subia 1,1% e era vendido por 5,397 reais. O dólar turismo, com menor liquidez, avançava 1,2%, cotado a 5,69 reais.
No mercado, repercutem os protestos contra e a favor do presidente Jair Bolsonaro, que terminaram em confronto, neste fim de semana. Em São Paulo e no Rio de Janeiro, os manifestantes contrários ao governo tiveram o apoio de torcidas organizadas.
Vanei Nagem, analista de câmbio da Terra Investimentos, avalia que o cenário interno está “muito delicado”. “A manifestação um pouco mais aguerrida contra o Bolsonaro, apesar de muito isolada, pode sinalizar uma mudança de pensamento e comportamento das pessoas”, disse Nagem
“Isso gera intranquilidade para o investidor estrangeiro, assusta. Eles estão saindo gradualmente, mas agora está sendo com valores maiores”, disse Jefferson Ruik, diretor de câmbio da Correparti Corretora.
Segundo Ruik, a expectativa de que o Comitê de Política Monetária (Copom) promova novo corte da taxa básica de juros Selic na próximo reunião, em meados de junho, também acelera os ganhos do dólar contra o real. Na ata do último encontro, o Copom deixou claro que poderia promover novo corte de até 0,75 pontos base, o que renovaria a mínima histórica para 2,25%.
No mundo, o dólar perde força, com o maior otimismo sobre a recuperação econômica, após o índice de gerente de compra (PMI, na sigla em inglês) industrial de maio ter saído acima das expectativas na China e, na Europa, melhor do que o mês anterior.
Apesar dos dados sugerirem que o pior do impacto econômico pode ter ficado para trás, o clima nos mercados internacionais ainda é de cautela, tendo em vista a escalada de tensões entre China e Estados Unidos.
A relação entre os dois países, que já vinha azeda, se deteriorou ainda mais na semana passada, quando o parlamento chinês aprovou a lei de segurança nacional sobre Hong Kong, visto como uma tentativa de aumentar o controle sobre o território autônomo. Nesta segunda, a agência Bloomberg informou que o gigante asiático ordenou que suas estatais interrompessem compras de produtos agrícolas americanos
A retaliação chinesa ao setor agrícola dos Estados Unidos pode colocar em xeque a primeira fase do acordo, visto que a importação de soja americana fazia parte das negociações. “Ameaça [a “fase 1?] sim . O Trump adora ter uma reação meio radical. A gente não sabe como vai ser interpretado”, disse Nagem.
(EXAME)












