Nova Caledônia vai retomar o abate de tubarões após ataque que matou médico

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026 às 07:23
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Tubarões abatidos em Nova Caledônia — Foto: Divulgação/Governo Provincial da Nova Caledônia

Vítima de 55 anos ignorou proibição de prática de esportes aquáticos vigente no arquipélago francês no Pacífico Sul; em 2023, mais de cem animais foram abatidos em resposta a uma série de ataques

O governo provincial da Nova Caledônia, território ultramarino francês no Pacífico Sul, anunciou que retomará o abate de tubarões após a morte de um homem em ataque brutal no domingo (22/2). Entre janeiro e agosto de 2023, agentes mataram mais de 100 tubarões-tigre e tubarões-touro após uma série de ataques no arquipélago. O programa foi criticado por cientistas marinhos e ambientalistas.

O médico de 55 anos foi morto quando praticava praticava wing foil (ou wing surf, um esporte aquático que combina elementos do surf, windsurf e kitesurf) perto da popular praia de Anse Vata, em Nouméa, capital da Nova Caledônia.

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A vítima, que não teve a identidade divulgada, sofreu mordidas no antebraço direito e nas pernas. Havia também marcas de mordida na prancha. Os restos mortais foram encontrados boiando numa lagoa. Parentes da vítima estavam na areia no momento do ataque.

O médico ignorou um decreto oficial que proibia, fora das áreas de natação protegidas, a natação e os esportes aquáticos num raio de 300 metros da costa de Nouméa até 4 de março.

Litoral de Nouméa, onde foram registradas duas mortes em ataques de tubarão desde 2023 — Foto: AFP

A decisão de retomar o abate gerou preocupação entre grupos ambientalistas, que afirmam que a medida é indefensável do ponto de vista legal e politicamente irresponsável, visto que um tribunal da Nova Caledônia proibiu o abate de tubarões em 2024.

Em um comunicado à imprensa, autoridades expressaram “profunda tristeza e profunda comoção após o ataque de tubarão que tirou a vida de um homem”.

Tubarão abatido no litoral de Nouméa — Foto: Reprodução

Em declaração à emissora australiana ABC, o grupo ambientalista Ensemble Pour La Planete afirmou já ter iniciado um processo judicial, apresentando um pedido de suspensão de emergência e uma revisão judicial completa do mérito.

O professor Eric Clua, especialista em comportamento de tubarões, afirmou que o abate indiscriminado de tubarões é uma estratégia ineficaz e anticientífica para prevenir interações entre humanos e tubarões.

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