Durante a palestra, os acadêmicos discutiram sobre questões raciais e culturais da região (Fotos: Cyarla Barbosa/Dicom Unitins)
ARAGUATINS – Os acadêmicos do 1º período de Pedagogia da Universidade Estadual do Tocantins (Unitins) Câmpus Araguatins participaram da palestra “As intelectuais negras do Bico do Papagaio: a voz da resistência ecoa pelos rios”, com a jornalista, quilombola, ativista antirracista, comunicadora popular e membro das equipes de comunicação da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq) e da Escola de Ativismo, Letícia Queiroz.
A ação faz parte da disciplina de curricularização Política das Relações Étnico-Raciais, Afro-Brasileira, Africana e Indígena ministrada pelo professor mestre Rafaela Furtado da Silva. Um dos objetivos do evento é contribuir para a formação crítica dos estudantes do curso de Pedagogia, já que as palestras contam com a presença de intelectuais negros e indígenas e, principalmente, com intelectuais trabalhadoras da região do Bico do Papagaio.
“Esses eventos fazem parte da curricularização da extensão, que busca fomentar a reflexão a partir da realidade sociopolítica e cultural da comunidade externa. Os encontros visam dialogar com os estudantes sobre uma educação antirracista, os saberes ancestrais e as questões raciais, fortalecendo o conhecimento cultural e histórico da região. Espera-se que o estudante do curso de Pedagogia conheça não somente a Política das Relações Étnico-Raciais, Afro-Brasileira, Africana e Indígena, mas também a importância de compreender a história a partir de uma perspectiva contracolonial e, assim, perceba a necessidade de manter viva a memória, a ancestralidade e a identidade de um povo de resistência”, explica o docente Rafael Furtado.
A acadêmica do 7º período de Pedagogia Maria Aparecida Moraes participou da palestra como moderadora. “Enquanto acadêmica e futura profissional da educação, fico muito feliz em participar desses momentos de conversa e aprendizado que a Unitins nos oferece. O tema da palestra tem uma grande relevância ao destacar e mostrar quem são as intelectuais do Bico do Papagaio. Ao trazer essas intelectuais, conseguimos realizar uma desconstrução tradicional do que é considerado intelectual para muitos. Acredito que novos conhecimentos, saberes e aprendizados podem ser adquiridos de várias formas, em vários espaços e de diversas maneiras por meio da cultura, dos diferentes modos de vida, rodas de conversas e história de pessoas que fizeram e fazem a diferença em nossa sociedade. Então, porque não aprender com essas mulheres que lutaram e vieram antes de nós?”, afirma a acadêmica.
Para a coordenadora do curso de Pedagogia, Ana Irene Carneiro, momentos como esses mostram a importância de discutir questões culturais e raciais na sala de aula. “A participação dos acadêmicos nessa palestra representa um passo essencial para a construção de uma educação mais crítica e inclusiva. Discutir as contribuições das intelectuais negras do Bico do Papagaio não apenas amplia o repertório teórico dos nossos estudantes, mas também fortalece o reconhecimento dos saberes ancestrais e das vozes que historicamente foram silenciadas. Como futuros formadores, acreditamos que compreender essas narrativas é fundamental para promover uma prática educacional antirracista e comprometida com a diversidade cultural e histórica da nossa região.”
Confira a agenda das próximas palestras:
27/03/2025 – Relações raciais e de gênero: a vulnerabilidade dos corpos negros em uma sociedade racista
24/04/2025 – Narrativas indígenas, memória e resistência
15/05/2025 – O sistema prisional brasileiro: quem ocupa historicamente esse espaço?
17/05/2025 – Visita à comunidade das quebradeiras de coco
29/05/2025 – Escrevivência como forma de existência e resistência
(DICOM UNITINS)












