Relatos de uma dona de casa

quarta-feira, 12 de maio de 2021 às 08:41
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Helenilva Custódio, funcionária pública estadual da saúde, assistente social. – Foto: Arquivo Pessoal.

*Por Helenilva Custódio

Estou aqui para conversar um pouquinho com vocês sobre o aumento nos preços da alimentação. Eu sempre fui apaixonada por fazer compras, especialmente no supermercado, em virtude daquela diversidade de cheiros, comidas, ingredientes… Aquilo tudo sempre me encantou, desde criança. Entretanto, nestes últimos tempos, infelizmente tem sido uma tortura, pois quando chego ao caixa o susto é cada dia maior. Não compro nem a metade do que gostaria e mesmo assim pago um absurdo.

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No início da pandemia, fiz as compras do mês e só voltei ao supermercado no mês seguinte e pense no susto que tomei ao constatar que diversos itens da cesta básica haviam dobrado de preço, como o arroz e o feijão, que vêm oscilando o preço já tem uns dois anos, porém neste ano eles praticamente estagnaram com o preço nas alturas. E a carne? Ahhh! Vamos dizer que fazer churrasco agora é coisa de gente rica. E quanto ao gás, já tivemos quatro aumentos só neste ano… A energia e a água também praticamente dobraram de preço.

Vendo essa situação, a gente fica pensando: será que está assim no país inteiro? E vai ler um pouquinho para tentar entender o que está acontecendo, aí é que vemos que a situação é ainda pior em outros estados e que a cesta básica que antes era um preço, agora dobrou, e pior, o salário mínimo está congelado e não consegue acompanhar toda essa mudança na cesta básica.

O mais intrigante é que não se vê mais aquelas longas reportagens nos telejornais, mostrando os preços dos alimentos por todo o país, aquela dona de casa mostrando como o preço subiu. O que houve com nossa imprensa, que ela hoje anda tão mais morna nesse sentido?

E aí, ainda me questiono quando ouço um apoiador dizendo que o governo está sendo bom. Será que ele está morando no mesmo país que eu ou será que ele tem ido ao supermercado, ou se não é ele que alimenta a sua família? Porque dizer que esse governo está bom não combina com os preços do supermercado.

Como ofertar uma boa alimentação para nossos filhos com o preço que está a nossa cesta básica? Se eu, que não tenho um salário tão ruim e ainda é um salário fixo todo mês, já acho complicado fazer as compras mensais, imagine aquele trabalhador que com essa pandemia acabou ficando desempregado? Imagino como deve estar a precariedade da alimentação por esse país afora e quantas famílias devem estar passando fome.

Helenilva Custódio é mãe de 3 meninos e uma menina, funcionária pública estadual da saúde, assistente social.

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