Apesar de cortes, obras avançam no acelerador de partículas Sirius

segunda-feira, 15 de abril de 2019 às 10:47
Acelerador de partículas Sirius (Foto: Projeto Sirius/ Cnpem)

acelerador de partículas Sirius completou a primeira volta de elétrons recentemente e, mesmo com os seguidos cortes na área científica do país, a previsão para a conclusão das obras é para o fim de 2020. O equipamento será responsável por gerar luz síncrotron — uma das tecnologias mais avançadas do planeta.

Em novembro de 2018, o Sirius foi inaugurado. A solenidade contou com a presença do então presidente da República, Michel Temer, em Campinas, interior de São Paulo, onde o equipamento foi construído. Hoje, entre os três aceleradores do Sirius, os dois primeiros já estão montados. Ainda assim, falta a parte de instalação de potência dos aceleradores, que deve acontecer em maio de 2019.

Quando as obras acabarem, o acelerador de partículas Sirius será o equipamento mais avançado do mundo na geração de luz síncrotron. Ao todo, são 68 mil m² de área construída.

A luz síncrotron gerada pelo Sirius será capaz de analisar a estrutura de qualquer material na escala dos átomos e das moléculas, que poderá contribuir no desenvolvimento de fármacos e baterias, por exemplo. Na mira da comunidade científica internacional, — que no futuro também poderá utilizar o espaço — , a construção do acelerador de partículas ainda enfrenta alguns percalços.

Segundo acelerador de partículas do Sirius completou a primeira volta de elétrons (Foto: Projeto Sirius/ CNPEM)

Cortes na ciência
Quando estiver em funcionamento, também permitirá reconstituir o movimento de fenômenos químicos e biológicos ultrarrápidos que ocorrem na escala dos átomos e das moléculas, importantes para o desenvolvimento de fármacos e materiais tecnológicos, como baterias mais duradouras.

“A construção do Sirius ainda esbarra nos subsequentes cortes de investimentos do governo federal”, conta o diretor do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), José Roque da Silva.

Em decreto publicado em março de 2019, o governo federal decidiu congelar uma parcela das verbas do orçamento em praticamente todas as áreas. O Ministério de Ciência e Tecnologia, por exemplo, sofreu congelamento de 41,97% do orçamento.

A medida, pensada para tentar cumprir a meta de déficit primário do país, pode afetar em cheio outros orçamentos, como do Sirius. “Nesse momento dá para dizer que o Ministério está mantendo o cronograma atual”, diz. “Eu diria que é cedo para dar alguma informação mais definitiva, mas a situação da ciência e tecnologia no país é, como um todo, preocupante”, explica Roque.

No futuro, a expectativa do CNPEM é de conseguir ampliar as fontes de recursos do Sirius — principalmente após o fim das obras. Segundo Roque, outros ministérios, como da Minas e Energia, Saúde e Agricultura também estão interessados em utilizar o acelerador.

“É um equipamento transversal, e que fornece várias técnicas de investigação de qualquer tipo de material”, explica Roque. Além dos agentes do governo, como explica o diretor do CNPEM, os setores privados também têm demonstrado interesse em investir no Sirius.

Segundo informações da Science Mag, 80% dos fundos para conclusão da construção e iniciar a instalação do Sirius foram congelados até o final de 2019. “Nós estávamos correndo em um pneu furado; agora eles tiraram a roda ”, disse Ildeu de Castro Moreira, físico da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Interior do prédio do Sirius, construído em Campinas, interior de São Paulo (Foto: Projeto Sirius/ CNPEM)

Além do Sirius
A construção do novo acelerador de partículas deve custar um valor estimado de R$ 1,8 bilhão. Além do Sirius, existe um antigo acelerador de fonte de luz síncrotron da CNPEM, o UVX, lançado em 1997.

Atualmente considerado ultrapassado, o UVX já participou de importantes descobertas para a pesquisa brasileira como, por exemplo, entender o funcionamento de uma proteína essencial para a reprodução do zika vírus. Hoje, o UVX tem 13 linhas de luz com diversas técnicas de análise microscópica com auxílio de radiação infravermelha, ultravioleta e raios X.

O diretor científico do Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS), Harry Westfahl Junior espera que nos próximos dois anos o número das linhas de luz salte para 18. Atualmente, duas vezes por ano é aberto chamado para projetos acadêmicos coordenados pela LNLS. “Cientistas de qualquer centro de pesquisa no mundo, empresarial ou acadêmico, podem submeter seus trabalhos”, conta.

O processo, segundo ele, é definido por um comitê formado por pesquisadores da comunidade científica que define os selecionados.

Assista abaixo um mini documentário, produzido pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), sobre a história do Sirius:

(REVISTA GALILEU)

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