Bom dia meu amor

quarta-feira, 2 de abril de 2025 às 09:03
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Arte digital de Clarisse Costa, que é designer gráfico, novelista, contista e cronista em Biguaçu, Santa Catarina.

Hoje decidi tirar um tempo

E parar tudo que estou fazendo

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E que proponho a construir

Para reavaliar todos os meus valores

Com a justeza das impossibilidades

De manter o meu equilíbrio

Entre os conflitos e a paz de espírito

Que deveria haver dentro de mim

***

Então eu balanço

Ao ritmo das árvores artificiais

Em uma floresta pré-fabricada

Danço, sinto e me movo

Para sagrar e consagra a Gaya ciência

***

O Amor, o equilíbrio e a proteção

Hoje decidi tirar um tempo

Para sentir os olores das flores

Lembrando-me de lugares distantes

E abandonados

Que a natureza decidiu tomar de volta

***

Hoje eu decidi experimentar

Outro cenário ainda não imaginado

Colocar-me de vontade própria

Em um cativeiro imagético

Imaginando as cenas dos próximos capítulos

***

Bom dia meu amor

E mais que de repente

Então percebo que o meu par perfeito

Não é mais tão perfeito assim

Mas estou disposto a conviver

Com este fato amargo da vida

Sem perdas e sem danos

***

A cada novo dia na minha vida

Eu me esforço brutalmente

Para eu parecer e aparecer

Com a melhor versão de mim

Mesmo eu sabendo

Que eu estou bem longe

Da perfeição mais-que-perfeita

Do que eu sequer possa imaginar

***

A bem da verdade

É que o meu eu-lírico

Posso abraçar uma pessoa suprareal

Para formar um lugar chamo de lar

E o que posso dizer é que os eus-lirico

Quando se abraçam e se beijam

Raramente terão finais felizes

***

A verdade é que eu tenho

Que parar de caminhar

Em direção das coisas que envelhecem

Ou que podem envelhecer

E vou continuar oferecendo

Os meus frutos dourados do sol

Em oferenda para aqueles que sequer

Aram os solos férteis

Nem regam almas imortais.

***

E digo que eu não preciso de provas cabais

Para validar os sentimentos alheios

E posso relembrar

Dos dias que eu compunha

Para a It girls dos meus sonhos perdidos

Em suas secções de pinturas corporais

Em seus primeiros dias de cânticos

Esses dias não são para esquecer

Fragmento do livro: Astro-domo. Texto de Samuel Costa, contista, poeta e novelista em Itajaí, Santa Catarina.

 

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