
A expedição à bordo do navio Esperanza pelos Corais da Amazônia entrou hoje, segunda-feira (16), em sua terceira semana e já apresenta resultados animadores. Mais para os cientistas e defensores desse bioma único, menos para a petrolífera Total, que busca o Licenciamento Ambiental junto ao Ibama para poder explorar petróleo na região.
Com o uso de um submarino robótico (ROV), os pesquisadores conseguiram fazer imagens de uma formação recifal dentro da área arrematada pela empresa para conduzir a exploração do petróleo. De acordo com o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) divulgado pela empresa, os corais estariam a pelo menos oito quilômetros de distância desse bloco de exploração (FZA-M-86).
Os pesquisadores já haviam coletado evidências da possibilidade de haver um recife na área, conforme será divulgado em um artigo na revista Frontiers in Marine Science, amanhã (17).
“A gente realmente esperava encontrar estruturas de recifes na porção mais rasa dos blocos de exploração de petróleo. Atinge 180 metros de profundidade e a gente já viu que é uma área dominada por recifes, na borda da plataforma continental”, afirmou à GALILEU Ronaldo Pereira-Filho, biólogo da Universidade Federal da Paraíba. “Conseguimos chegar ao fundo e registrar o banco de rodolitos, que é uma estrutura típica do recife do amazonas e exatamente dentro do bloco”, disse, se referindo à formação de algas calcárias fundamental para formar o habtat de diversas espécies marinhas.
“Agora temos não só evidências, mas a comprovação que existem estruturas recifais dentro dos blocos, e essa informação não consta no EIA das empresas. Temos que levar essa informação para o público e enviar também para o Ibama considerar no processo de licenciamento”.
(REVISTA GALILEU)












