Estudo aponta queda de um terço na taxa global de suicídios em 30 anos

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019 às 16:20
Laço amarelo é símbolo do dia mundial de prevenção do suicídio, 10 de setembro (Foto: Flickr)

cada 40 segundos alguém se suicida no planeta. São mais de 800 mil pessoas que dão fim à própria vida todos os anos, segundo a Organização Mundial da Saúde. É uma das principais causas de morte entre os homens jovens, sendo que para cada suicídio, estima-se que outras 20 pessoas tentam seguir o mesmo caminho.

Apesar dos números alarmantes, um novo estudo com dados de 2016 do Global Burden Disease, que investiga as causas de morte em cada país, afirma que o número relativo de suicídios caiu 33% desde 1990.

Apesar do número de casos ter subido de 762 mil para 817 mil no período, quando os pesquisadores consideram o crescimento da população, e padronizam os dados por faixa etária, o resultado apresenta uma redução de um terço na ocorrência de suicídios, conforme publicado em artigo na revista BMJ.

Entre as mulheres, a diminuição foi ainda maior, 49% a menos. Já entre os homens, a redução foi de 24%. Eles são mais propensos a cometer suicídio. A taxa de 2016 foi de 16 mortes por 100 mil homens, enquanto entre as mulheres foi de sete mortes.

Quando os dados são analisados por país, China (64,1%), Dinamarca (60%), Filipinas (58,1%), Cingapura (50,6%) e Suíça (50,3%), Maldivas (59,1%) e Seychelles (56,1%) apresentaram a maior redução no número de mortes. “As mudanças observadas na China foram atribuídas ao crescimento econômico, à urbanização, à melhoria do padrão de vida e ao melhor acesso a assistência médica nas áreas rurais”, escreveram os autores.

No extremo oposto, a taxa de suicídio no Zimbábue aumentou 96%, de cerca de 14 por 100 mil para quase 28 em todo o período do estudo, embora essa mudança não pudesse ser explicada.

A pesquisa também descobriu que, apesar do suicídio figurar entre as dez principais causas de morte principalmente em países de alta renda da Europa, Ásia e América do Norte, o número de pessoas que cometem suicídio vem aumentando principalmente entre as pessoas com menor status social e econômico.

Entre os países com população superior a 1 milhão, as taxas de mortalidade por suicídio foram mais elevadas no Lesoto (39 mortes por 100.000), Lituânia (31 por 100.000), Rússia (pouco menos de 31 por 100.000) e Zimbábue (quase 28 por 100.000). Por outro lado, foram mais baixas no Líbano (cerca de 2 mortes por 100.000), Síria (2,5 por 100.000), Gaza, Cisjordânia, Kuwait (2,7 por 100.000) e Jamaica (2,9 por 100.000).

O objetivo do estudo era fornecer material para novas pesquisas abordando a realidade em cada local, como entender o motivo do aumento dos suicídios no Zimbabwe.

“Os resultados podem ser úteis para governos, agências internacionais, doadores, organizações cívicas, médicos e o público para identificar os lugares e grupos em maior risco de auto-mutilação e estabelecer prioridades para intervenções”, escreveu Ellicott C. Matthay, um estudante de pós-doutorado no Departamento de Epidemiologia e Bioestatística da Universidade da Califórnia que participou do levantamento.

Entretanto, Matthay faz questão de destacar as limitações da pesquisa, apontando para a necessidade de cada vez mais estudos.  Os resultados poderiam “refletir problemas de dados como subnotificação, relatórios diferenciais ou erro de classificação da causa da morte devido à natureza sensível e ilegal do suicídio em muitos países”, ponderou.

Precisa de ajuda?
Se perceber que alguém apresenta comportamento suicida, não deixe a pessoa sozinha; remova álcool, drogas, medicamentos ou objetos afiados que possam ser usados em uma tentativa de suicídio; procure ajuda de um especialista em saúde mental ou em um pronto atendimento.

Contate o Centro de Valorização da Vida pelo telefone 141 ou pelo e-mail [email protected]

(REVISTA GALILEU)

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