Estudo sugere que núcleo da Terra está crescendo de maneira desigual

terça-feira, 15 de junho de 2021 às 11:40
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Um recorte do interior da Terra mostra o núcleo interno de ferro sólido (vermelho) crescendo lentamente pelo congelamento do núcleo externo de ferro líquido (laranja); seta azul representa ondas sísmicas viajando através do núcleo interno da Terra mais rapidamente entre os pólos norte e sul do que no equador (seta verde). Foto: Daniel Frost/Universidade da Califórnia.

A estrutura da Terra é bem curiosa e cheia de mistérios — que seguem intrigando a ciência. Em um novo estudo, cientistas liderados por um grupo da Universidade da Califórnia em Berkeley, nos Estados Unidos, sugere que o núcleo de ferro sólido do nosso planeta está crescendo mais rápido do lado leste do que no oeste. Porém, eles ainda não sabem explicar o motivo por trás disso.

Ainda assim, os pesquisadores fizeram descobertas importantes sobre o tema e as publicaram no início de junho na revista científica Nature Geoscience. O artigo aponta que o núcleo terrestre começou a crescer de forma desigual desde que passou a congelar a partir do ferro fundido.

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Estima-se que o raio do núcleo esteja crescendo desde então em uma velocidade média de um milímetro por ano. Acontece que essa agilidade parece ser maior no leste do planeta, especialmente próximo ao Mar de Banda, uma região do Oceano Pacífico pertencente à Indonésia. A hipótese é que, nessa região, algum fenômeno no núcleo externo da Terra ou no manto terrestre esteja removendo calor do núcleo interno de maneira mais rápida do que no lado oposto — que fica exatamente sob o Brasil.

Esse suposto resfriamento mais rápido no leste é o que acelera, por consequência, a cristalização do ferro. A velocidade de crescimento é aproximadamente 60% maior no leste do que no oeste, calculam os autores. Apesar do ritmo assimétrico, a gravidade costuma distribuir o crescimento para não deixar o centro da Terra desequilibrado — e o fenômeno não é notável para nós.

“O núcleo interno é assimétrico”, confirma Daniel Frost, líder do estudo, em comunicado. “O lado oeste parece diferente do lado leste até o centro, não apenas no topo do núcleo interno, como alguns sugeriram. A única maneira de explicar isso é por um lado crescendo mais rápido do que o outro”.

Os cientistas acreditam que essa descoberta tenha implicações no campo magnético da Terra, que eles estimam que já existia antes mesmo do surgimento do núcleo interno sólido.

Por meio de um modelo computacional, os pesquisadores estudaram o surgimento de cristais de ferro nesse núcleo, com base em conhecimento de geodinâmica e na física desse mineral. Então, notaram que o crescimento assimétrico resultava em diferenças na velocidade das ondas sísmicas da Terra.

O núcleo interno do nosso planeta tem 1,2 mil quilômetro de raio e é cercado por um núcleo externo de ferro fundido e níquel com cerca de 2,4 mil quilômetros de espessura. Mas os cientistas estimam que o elemento também compõe a parte interna da Terra – entre 4% e 8% do globo. Tais porcentagens desse metal são próximas àquelas encontradas em meteoritos  que já foram núcleos de planetas anões no Sistema Solar.

(Revista Galileu)

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