Imunidade pós-covid é muito pequena em casos assintomáticos e para novas variantes

terça-feira, 22 de junho de 2021 às 12:04
Foto: Shutterstock

Um novo estudo da Universidade de Oxford, na Inglaterra, reforça a orientação de que quem já teve covid-19 precisa se vacinar e seguir adotando as medidas de proteção e isolamento. Pré-publicada na plataforma Research Square e ainda não revisada por pares, a pesquisa indica que nem todos que já tiveram uma infecção pelo vírus, independentemente se o quadro foi sintomático ou assintomático, devem contar que desenvolveram uma proteção imunológica natural prolongada.

Com apoio do consórcio UK Coronavirus Immunology, os cientistas examinaram amostras de sangue de 78 trabalhadores de saúde do Reino Unido, dos quais 66 haviam tido covid-19 sintomática e 12 haviam sido assintomáticos. Eles utilizaram um sistema de aprendizado de máquina chamado SIMON para identificar padrões nas coletas.

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Os exames de sangue foram feitos mensalmente, de um a seis meses após a infecção. Eles avaliaram os anticorpos antispike, dedicados a combater a proteína spike do coronavírus, responsável por ajudá-lo a entrar nas células humanas. Também foram detectadas células de defesa que têm como alvo o nucleocapsídio do vírus, onde ele guarda seu material genético.

Além disso, os cientistas consideraram a presença de células T, que ajudam na resposta contra o coronavírus, e células B, fabricantes de anticorpos e que também atuam na memória imunológica do corpo. Todos esses fatores foram considerados como uma “assinatura” da imunidade do indivíduo.

A maioria das pessoas que tiveram sintomas quando foram infectadas apresentou uma resposta imunológica mensurável seis meses depois de serem infectadas. Porém, isso não ocorreu com 26% desse grupo. Já entre os assintomáticos, 92% não deu indício de resposta imune no mesmo período.

Levando em conta as variantes do Sars-CoV-2, a pesquisa não identificou a presença de anticorpos capazes de neutralizar a variante Alfa, registrada em setembro de 2020 no Reino Unido e considerada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) uma Variante de Preocupação. Também não havia substâncias neutralizantes para outra cepa dessa categoria, a Beta, detectada originalmente na África do Sul.

Segundo Christina Dold, coautora do estudo, o resultado é sinal de que há respostas imunológicas muito diferentes entre si, seja considerando casos sintomáticos ou assintomáticos. “Nossa preocupação é que essas pessoas possam estar em risco de contrair a covid-19 pela segunda vez, principalmente com a circulação de novas variantes. Isso significa que é muito importante que todos recebamos a vacina quando oferecida, mesmo se você achar que já teve a doença”, afirma.

(Revista Galileu)

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