
A dor neuropática (também conhecida por dor crônica) é um sinal de que há algo de errado com o sistema nervoso. Os pacientes que apresentam esse quadro têm sensações de queimação, ‘punhaladas’ e de choques elétricos percorrendo determinada região do corpo mesmo sem terem causado nenhum dano aos seus tecidos.
O sofrimento é certo, e o desafio para a medicina também, tendo em vista a dificuldade de se encontrar tratamentos eficazes para tratar do problema. Felizmente, um novo método acaba de ser descoberto por pesquisadores do Laboratório Europeu de Biologia Molecular, em Roma (Itália).
O grupo de cientistas desenvolveu uma técnica para as dores crônicas periféricas, que são aquelas relacionadas ao sistema nervoso periférico e caracterizadas por uma imensa irritação ou agonia apenas a partir de um toque na pele.
Ao estudar a epiderme humana e os diferentes tipos de células nervosas que existem ali, os médicos descobriram que as do tipo TrkB-positivas são as únicas responsáveis por causar dores neuropáticas periféricas.
Após achar a matriz da dor, o grupo criou uma molécula sensível à luz que não reage com nenhuma célula outra célula da pele senão com as neurais do tipo TrkB-positiva.
Quando os cientistas aplicaram essa molécula nas terminações nervosas das células TrkB-positiva de um camundongo suscetível à dor crônica periférica e expuseram o animal à luz infravermelha, as células nervosas TrkB-positiva se retraíram, “afundaram-se na pele” e, consequentemente, ficaram menos sensíveis às sensações leves na epiderme.
A princípio, a ideia de ligar uma molécula criada em laboratório a uma célula nervosa pode parecer esquisita, mas o time de estudiosos afirma que a técnica funciona, ao menos em camundongos.
“É como comer um curry bem forte, que queima nas terminações nervosas da boca e depois as dessensibiliza por algum tempo”, escreveu o autor do estudo.
Apesar de a descoberta, o método precisará ser melhor estudado. Conforme revelam os cientistas, as terminações nervosas da célula TrkB-positiva “renascem” mesmo após a injeção da molécula. Para os ratos, por exemplo, o método precisou ser retomado a cada três semanas. É possível que com os seres humanos os ciclos de reaplicação tenham que ser ainda maiores.
Os cientistas já estão tentando a técnica em células de pele humana in vitro, mas afirmam que ainda são necessários mais estudos para que a descoberta vire um tratamento médico de fato.
A pesquisa está publicada no portal EurekAlert.
(REVISTA GALILEU – Com informações de IFLScience.)












