
Que atire a primeira pedra quem nunca se viu deitado na cama, no meio da noite, olhando fotos de pessoas desconhecidas e aparentemente “perfeitas” e se sentiu mal com seu corpo. Para as mulheres, isso é ainda mais comum – e mais perigoso – do que se imagina.
Segundo estudo realizado por um grupo de psiquiatras e psicólogos de universidades britânicas, quando mulheres são expostas a imagens de corpos femininos mais estreitos e magros do que os seus, elas tendem a se sentir insatisfeitas consigo mesmas. Por outro lado, quando veem padrões físicos maiores, o efeito é reverso.
“Há evidências de que expor pessoas a imagens de corpos de diferentes tamanhos altera a percepção delas acerca de padrões corporais, na medida em que modifica a ideia que elas têm do que é um tamanho ‘normal’”, escrevem os pesquisadores no periódico científico The Royal Society.
“O tamanho do corpo feminino dito como ‘normal’ torna-se mais estreito e fino logo após a exposição de padrões magros, e maior na sequência da exposição de corpos mais cheios e maiores.”
Com isso em mente, os pesquisadores decidiram estudar o comportamento de 196 mulheres com idades entre 18 a 25 anos e índice de massa corporal saudável (ou seja, com um IMC entre 19 a 25) em contato com diferentes formatos de corpo.
Para tanto, os cientistas fotografaram uma mulher com padrão corporal saudável e alteraram digitalmente a imagem de duas formas: primeiro para que a modelo parecesse abaixo do peso e, depois, acima do peso.
Posteriormente, cada participante foi consultada de forma individual e apresentada a alguma das três versões da modelo. Em seguida, elas deveriam avaliar o próprio corpo e informar como se sentiam em relação a ele.
Aquelas mulheres que foram expostas às imagens do corpo saudável e a versão editada “acima do peso” revelaram se sentirem muito mais satisfeitas consigo mesmas e mais magras quando comparadas às participantes que receberam a foto da modelo “abaixo do peso” – incluindo as mulheres que haviam chegado ao momento da pesquisa alegando desconforto com o próprio corpo.
Vale mencionar também que, após serem expostas a foto da modelo com o corpo saudável, a satisfação das mulheres durante a autoavaliação apresentou porcentagens mais positivas.
De acordo com os pesquisadores, essa descoberta é muito importante, visto que a percepção corporal está intrinsecamente relacionada aos casos de obesidade e distúrbios alimentares.
“Nossos resultados apresentam uma forte mensagem de saúde pública sobre como aumentar o número de mulheres com padrões corporais normais e maiores na mídia pode reduzir os níveis de insatisfação corporal na população e, portanto, contribuir para reduzir as taxas de ganho de peso, obesidade e distúrbios alimentares”.
(REVISTA GALILEU – Com informações de Science.)












