Nascimento de corais na Austrália cai em 89% por mudanças climáticas

segunda-feira, 15 de abril de 2019 às 10:29
Número total de corais novos caiu 89% na grande barreira de coral australiana, que é o maior sistema de corais do mundo (Foto: Tory Chase/Arc Coe For Coral Reef Studies)

Um estudo publicado na Revista Nature mostrou que, devido aos efeitos das mudanças climáticas, o número total de novos corais caiu 89% na Grande Barreira de Coral, localizada entre as praias do nordeste da Austrália e Papua-Nova Guiné e considerada o maior sistema de corais do mundo. A morte de grande parte do recife ocorreu após um branqueamento em massa, que aconteceu em 2016 e 2017.

Os resultados do estudo também mostraram que o número de espécies produzidas no coral mudou bastante: a quantidade de pólipos do gênero Acropora, que costumavam dominar o coral, diminuiu em 93%. Tradicionalmente, os  Acropora compõem dois terços de um coral saudável e servem de refúgio para diversos peixes e animais aquáticos.

De acordo com o líder do estudo, Terry Hughes, do Centro de Excelência para Estudos em Corais, como o processo de recuperação dos corais leva uma década, se os eventos de branqueamento ocorrerem antes que os corais tenham tempo de se recuperarem, há uma incerteza a respeito do futuro deles nos próximos anos.

Pesquisador coleta tijolos com estimulantes para proliferar corais na Grande Barreira de Coral australiana (Foto: Margaux Hein/ARC CoE for Coral Reef Studies)

“ Nós temos uma segunda fase na qual as espécies têm a chance de se recuperarem, mas o que estamos vendo é que a recuperação está acontecendo bem mais devagar já que restam apenas 10% de bebês na população de corais”, afirmou Hughes ao jornal britânico The Guardian.

Para que a recuperação aconteça, segundo o pesquisador, são necessários corais adultos, mas isso não acontecerá tão depressa. Ele citou a ilha de Lizard, que fica na Grande Barreira de Corais em Queensland, onde a taxa de crescimento de novos corais é de apenas 4%.

“Nós não estamos falando que os corais estão condenados, mas estão em uma nova trajetória. O modo como o coral está conectado e o seu número de espécies estão mudando”, alertou Hughes.

(REVISTA GALILEU)

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