
Proporção passou de 11% para 24% entre 2006 e 2023; médica do HDT-UFNT reforça importância de alimentação equilibrada, atividade física e acompanhamento profissional
O Dia Nacional de Prevenção da Obesidade, celebrado em 11 de outubro, reforça a importância de ações voltadas à promoção da saúde. A data foi instituída pela Lei nº 11.721/2008. Caracterizada como uma doença crônica e multifatorial, a obesidade é definida pelo acúmulo excessivo de gordura corporal, condição que pode acarretar outras enfermidades, como complicações cardiovasculares e metabólicas.
Marla Suelen Gomes, médica residente em Saúde da Família e Comunidade do Hospital de Doenças Tropicais da Universidade Federal do Norte do Tocantins (HDT-UFNT), vinculado à HU Brasil, fala sobre a importância da prevenção. “Alimentação balanceada com redução de ultraprocessados, prática regular de atividade física e atenção ao sono e ao estresse são a base que vale para todo o mundo, independentemente de histórico familiar. Já quem tem tendência genética ou familiar à obesidade precisa de monitoramento precoce e regular do peso”, alerta.
Fatores como consumo excessivo de álcool, estresse e privação de sono, além do uso de medicamentos que favorecem o ganho de peso, como corticoides e insulina, também merecem atenção.
Conforme dados do Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), vinculado ao Ministério da Saúde (MS), a proporção de adultos com obesidade mais que dobrou entre 2006 e 2023, passando de 11,8% para 24,3% da população. Nesse mesmo período, o percentual de brasileiros com excesso de peso aumentou de 42,6% para 61,4%, o que significa que atualmente seis em cada dez adultos estão acima do peso considerado saudável.
Tratar a obesidade de maneira mais acessível exige mudança estruturada no estilo de vida, e não apenas orientações isoladas, como afirma Marla Suelen. “É necessário manter um déficit calórico moderado, maior consumo de frutas e vegetais e pelo menos 150 minutos semanais de atividade física moderada”, orienta.
Buscar auxílio nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) é uma maneira de realizar um acompanhamento mais cuidadoso. “O usuário terá protocolos específicos e validados para manejo da obesidade por equipes multiprofissionais, incluindo orientação nutricional gratuita. A obesidade não é ‘falta de força de vontade’, e seu manejo funciona melhor quando combina mudança de hábitos, suporte profissional e acesso a alimentos saudáveis”, acrescentou Marla Suelen.
Diagnóstico de obesidade
O principal marcador usado tanto pelo Ministério da Saúde quanto pela literatura internacional é o Índice de Massa Corporal (IMC). Marla Suelen explica que, em adultos, um IMC entre 25 e 29,9 kg/m² define sobrepeso, enquanto um IMC igual ou superior a 30 kg/m² já caracteriza obesidade, que é subdividida em graus I, II e III, conforme a gravidade.
Além do IMC, recomenda-se associar a medida da cintura para avaliar a gordura abdominal, considerada a mais perigosa para o coração e o metabolismo. Valores acima de 88 cm em mulheres e 102 cm em homens já indicam obesidade abdominal, mesmo que o IMC esteja no limite.
“Diretrizes mais recentes defendem complementar o IMC com essas medidas ou até exames de composição corporal antes de fechar o diagnóstico, justamente para não rotular errado quem tem muita massa muscular ou, ao contrário, deixar passar quem tem gordura visceral alta com IMC normal”, pontua.
Sobre a HU Brasil
O HDT-UFNT integra a Rede HU Brasil desde 2015. Criada por meio da Lei nº 12.550/2011 e vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a estatal nasceu tendo como nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). É responsável pela administração de 47 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação.












