
Todos os planetas já descobertos pela ciência tinham algo em comum: estavam dentro de nossa galáxia, a Via Láctea. Isso, porém, acaba de mudar, graças a uma equipe de astrofísicos da Universidade de Oklahoma, nos EUA. Eles conseguiram, pela primeira vez na história, coletar evidências da existência de planetas em galáxias distantes.
É verdade que ninguém duvidava que eles existiam, afinal não faria nenhum sentido os planetas se formarem só nessa espiral com diâmetro de cem mil anos-luz que chamamos de Via Láctea. O problema é que é praticamente impossível observar esses corpos celestes a partir do nosso planeta.
A única forma de encontrar planetas muito distantes da Terra foi teorizado ainda em 1915 por Albert Einstein. O fenômeno chamado de lente gravitacional acontece quando uma fonte de luz, como uma estrela, fica alinhada atrás — no nosso ponto de referência — de um objeto de grande massa, como um buraco negro.

Ao passar por esse objeto, que não daria para ser observado pelos telescópios, a luz é atraída pela gravidade, fazendo uma “curva”. Observando essa distorção os astrofísicos conseguem concluir que existe alguma coisa ali. A técnica é bastante utilizada para descobrir planetas distantes dentro de nossa galáxia e alguns grandes objetos fora da galáxia. Foi observada pela primeira vez em 1979, quando a luz de um quasar (objeto espacial repleto de energia) foi distorcida pela gravidade de uma galáxia que estava a sua frente.
A evolução da tecnologia, com supercomputadores e potentes computadores, possibilitou a observação desse fenômeno em objetos muito menores. A chamada microlente gravitacional. Assim já foram descobertos exoplanetas nos confins de nossa galáxia.
Os pesquisadores da Universidade de Oklahoma, Guerra e seu professor, Xinyu Dai, resolveram testar a observação ainda mais longe. Com dados coletados pelo Observatório de Raios-x Chandra, um telescópio no espaço controlado pelo Observatório Astrofísico Smithsonian, e os cálculos do Centro de Supercomputação para Educação e Pesquisa da universidade, observaram o fenômeno fora da Galáxia.
“Esse é um exemplo de quão poderosa essa técnica de análise de microlentes extragalácticas pode ser. Essa galáxia está localizada a 3,8 bilhões de anos-luz de distância”, conta Guerra. Assim, conseguiram observar cerca de dois mil objetos com massas que vão do equivalente à Lua a de Júpiter. “Nós fomos capazes de estudá-los, revelar sua presença e até ter uma ideia de suas massas. Isso é uma forma muito legal de ciência”, conclui.
(REVISTA GALILEU)












