
Veículos sempre foram apontados como os principais vilões da poluição do ar. Afinal, um carro popular libera cerca de 150 gramas de dióxido de carbono, um dos responsáveis pelo aquecimento global, por quilômetro rodado. Mas não fica por aí, a queima de combustíveis fósseis também libera os chamados VOCs (sigla em inglês para compostos orgânicos voláteis), substâncias químicas ligadas à diversos males, que vão de alergia e irritação nos olhos ao câncer.
Escapamentos de carros, entretanto, não são a única fonte desses VOCs. Eles estão em pesticidas, solventes, tintas plásticas, adesivos, produtos de limpeza, maquiagem, cosméticos, perfumes. Ou seja, quase todo químico que emita algum tipo de cheiro. E, segundo uma pesquisa publicada no periódico Science, esses produtos podem poluir o ar mais do que os próprios carros.
Analisando dados estatísticos sobre a produção de químicos de indústrias e agências governamentais, os pesquisadores concluíram que o impacto das emissões desses produtos eram subestimada em até três vezes, enquanto as emissões dos VOCs por carros superestimada em até 40%.
Isso significa que esses químicos produzem mais que o dobro das emissões que os carros. Mas com um agravante: já que os produtos geralmente são utilizados em ambientes fechados, os pesquisadores compararam as emissões dentro de residências e edifícios comerciais em Los Angeles, na Califórnia, com o ar externo. Eles descobriram que a concentração de poluentes era até sete vezes maior em ambientes fechados.
Os VOCs representam uma grande variedade de moléculas a base de carbono, como aldeídos, cetonas e outros hidrocarbonetos. Por serem leves, sobem para a atmosfera, onde passam por uma reação, que os transformam em ozônio e materiais particulados, substâncias minúsculas, cerca de cinco vezes mais finas que um fio de cabelo, que vagam em suspensão no ar.
De acordo com os cientistas, o fato das pessoas passarem muito mais tempo em ambientes fechados agrava ainda mais a situação, e alertam para a necessidade urgente de novas regulamentações sobre esses produtos para diminuir o impacto à saúde. Enquanto isso, você pode simplesmente tentar evitá-los, os preferindo produtos naturais aos químicos sintéticos. O seu pulmão agradece.
(REVISTA GALILEU)












