
Programas de espionagem, que permitem monitorar as atividades de indivíduos em seus celulares e computadores têm se espalhado de maneira cada vez mais acelerada pelo mundo. Também chamados de spywares, esses softwares se infiltram em aparelhos por links contaminados e aplicativos. Conforme as atividades humanas ficam cada vez mais dependentes das facilidades funcionais trazidas pelas máquinas, esses programas permitem ter uma visão crescentemente abrangente das atividades pessoais e sociais dos monitorados.
Em 2019, a empresa de cibersegurança ESET apresentou um levantamento sobre a distribuição desse tipo de programa na América Latina, no qual o Brasil absorvia a maior parte deles na região. Com 27% da distribuição, o país era seguido pelo México (21%) e pelo Peru (14%).
Antes restrita a hackers, esse tipo de tecnologia hoje pode ser usada também por pessoas comuns, para monitorar seus cônjuges ou familiares, com legitimidade ética questionável. Mas as ferramentas mais refinadas do gênero atualmente estão nas mãos de agências de inteligência de governos de todo o mundo.
O caso Pegasus
O caso mais notório de spyware governamental é o Pegasus. Esse produto da firma israelense NSO, tem sido vendido há mais de uma década a serviços de inteligência de diversos países.
Em 2021, uma série de reportagens na imprensa internacional, apelidada de Project Pegasus, colocou esse software em evidência, devido ao uso indiscriminado não para garantir a segurança nacional, mas sim para perseguir jornalistas e ativistas em diversos países, como Índia, Hungria, Israel e Reino Unido.
A sofisticação principal do Pegasus é ser um programa de “clique zero”: ela é capaz de extrair sorrateiramente todos os tipos de dados do celular da vítima sem que ela tenha que clicar num link malicioso para dar acesso ao invasor.
O monitoramento para perseguição é qualificado por muitos observadores como terrorismo estatal contra a sociedade civil, portanto uma completa desvirtuação de seu propósito original.
Esse uso desvirtuado de tecnologia foi incluído nas diretrizes de segurança nacional dos Estados Unidos em 2021, depois da imposição de uma proibição a empresas norte-americanas em fazerem negócios com a NSO – embora o governo ainda use outros programas similares para monitorar criminosos.
Como evitar programas de espionagem
A maneira mais eficaz de evitar spywares é evitar clicar em links suspeitos ou baixar aplicativos. Embora nem sempre seja simples identificar o que é suspeito e o que não é, aplicativos que apresentam mais vantagens do que parece possível são uma fonte de contágio fácil de ser evitada.
Evite aplicativos gratuitos
Programas como um editor de imagens grátis ou uma VPN barata demais competem com aplicativos pagos que prestam o mesmo serviço e precisam lucrar de alguma maneira.
Programas grátis ou muito baratos muitas vezes permitem anúncios em seu interior e é nessa publicidade que links e botões contaminados muitas vezes podem ser clicados.
Restringir permissões de aplicativos
A menos que necessário, como no caso de aplicativos bancários, restrinja as permissões dos aplicativos às funcionalidades de seu celular. Nem sempre há bons motivos para um programa ter acesso a ligações telefônicas e mensagens, por exemplo. Esse é um cuidado a se tomar cada vez que se baixa um novo aplicativo.
Como saber se meu celular foi contaminado?
Além da prevenção, também é preciso saber remediar o problema. Apesar de os cibercriminosos serem muitas vezes discretos e os programas de vigilância serem feitos justamente para não deixar traços de uso num celular, em algumas ocasiões eles podem dar sinais de sua existência.
Conforme haja suspeita de espionagem, verifique a presença de aplicativos estranhos ou que você não lembra de ter instalado em seu aparelho e delete-os. Caso não consiga fazer isso, baixe um antivírus de confiança para tentar a remoção.
Confira a seguir três dos principais indícios de contágio por spyware num celular.
- Desempenho comprometido
A atividade constantemente vagarosa de um celular pode ser o sinal de contágio por spyware, rodando em segundo plano no aparelho. Programas de monitoramento trabalham intensamente, enviando dados, imagens e documentos a um servidor externo, podendo comprometer o rendimento do celular da vítima.
Outros sinais de comprometimento do desempenho da máquina que podem merecer atenção são o sobreaquecimento e o consumo de bateria intensivo e muito rápido.
- Celular reiniciando aleatoriamente
O contágio por spyware coloca um celular à mercê da pessoa que o contaminou. Com isso, o aparelho pode ser manipulado remotamente de diversas maneiras. Uma delas é reiniciar o dispositivo sem autorização.
Além de apagar aplicativos suspeitos no celular, uma possível maneira de solucionar o problema pode ser atualizar o sistema operacional do telefone.
- Uso absurdo de dados móveis
A vigilância de um aparelho por um hacker é bem-sucedida quando esse agente malfeitor consegue acesso a dados comprometedores e informações sensíveis, que podem ser “transformados” em dinheiro, via chantagem.
Para ter acesso aos dados, o agente invasor precisará transferi-los do aparelho da vítima para um servidor, e então para seu controle. Essa transmissão é feita com uso de internet e, no caso de um celular, possivelmente de dados móveis.
Por isso, se o consumo de internet móvel explodir num curto período de tempo, esse pode ser um sinal de que algo não vai bem com seu dispositivo.
*Por LARA BIRAL












