Um piercing promete combater uma das dores mais comuns

segunda-feira, 22 de maio de 2017 às 08:49
47 Visualizações

pessoas-piercing

Se você já sofreu com enxaqueca ou conhece alguém próximo que esteja sofrendo, então sabe como esse tipo de dor de cabeça pode ser debilitante. Este foi o caso de Sami Carter, uma mãe de quatro filhos que está entre as 35 milhões de pessoas que apresentam o problema nos EUA, de acordo com dados da UCSF Medical Center.

Publicidade

Carter estava lidando com problemas de enxaqueca há sete anos. Ela acreditava que eles haviam surgido após ter dado à luz o primeiro filho. Em entrevista à KSL.com, mídia estatal de Salt Lake City, contou que houve momentos em que suas dores de cabeça, que duravam dias, eram tão implacáveis que por vezes era obrigada a buscar conforto em um quarto escuro e silencioso.

pessoas-piercing_2

São como marteladas”, disse. “Elas vêm e não vão mais embora”.

De acordo com Dr.ª Lucia Altamirano, neurologista da Intermountian Healthcare, que tratou centenas de pacientes com sintomas semelhantes, muitas das vezes o problema vem acompanhada de uma intensidade profunda, que pode até mesmo debilitar a pessoa.

pessoas-piercing_3

As causas para uma enxaqueca diferem entre os pacientes, embora a médica concorde que seja mais comum entre mulheres em razão das alterações hormonais. “Hormônios podem levar a alterações químicas no cérebro”, explicou. “Essa pode ser uma razão pela qual as mulheres na menopausa têm mais enxaquecas do que os homens”.

Quanto ao tratamento, Dr.ª Altamirano afirma que existem dezenas de medicamentos sendo consumidos por esses pacientes, que incluem almotriptan, eletriptan e rizatriptan.

Estes são medicamentos bem conhecidos por Lorna Roberts, outra vítima do problema. Após sofrer por 23 anos com a doença neurológica, ela resolveu procurar métodos alternativos. Foi então que, no ano passado, tentou algo fora do convencional: um piercing em seu daith – uma região na cartilagem interior da orelha comumente conhecida como um ponto de pressão.

Enquanto este não é um lugar exatamente novo para ser perfurado, a popularidade desse tipo de piercing tem aumentado ultimamente, de acordo com Patrick Bogdanich, body piercer do Koi Piercing Studios, em Salt Lake City (EUA).

“Neste estúdio particular, passamos de meia dúzia ou mais de perfurações no daith por ano, para muitos por dia”, disse ele acrescentando que seus clientes vão desde crianças de 8 anos até idosos de 85. O motivo, segundo ele, é combater enxaquecas.

“As pessoas me enviam e-mails literalmente noite e dia, falando sobre como estão experimentando alívio por causa do piercing”, disse Bogdanich. Enquanto Lorna Roberts foi um desses casos de sucesso, outros simplesmente não conseguiram ver resultados.

Não funcionou. Coloquei outro nessa semana e não parou em nada [as dores]”, escreveu Anna Hibbert em um post para o Migraine Relief Center. “Infelizmente não funcionou para mim ou minha irmã. Nossos principais problemas que desencadeiam as dores são tempo e estresse”, escreveu outro usuário.

O que a Ciência diz sobre isso?

De acordo com Dr.ª Altamirano, ainda é muito cedo para responder isso, uma vez que não foram realizados ensaios clínicos sobre o método. “Digo que apenas um estudo sério vai nos dar mais informações, mas neste momento não é cientificamente comprovado que ele [piercing] melhore a dor”, acrescentou.

No entanto, mesmo sem esses dados científicos concretos, pessoas como Sami Carter têm experimentado bons resultados após a perfuração. “De repente a pressão das marteladas desapareceu, quase que imediatamente após o furo ser feito”, contou Carter acrescentando que desde então está livre da enxaqueca.

Para aqueles que estão pensando na perfuração do daith como opção de tratamento, Dr.ª Altamirano recomenda procurar um profissional capacitado, a fim de reduzir riscos de infecções ou algo pior. Ela acrescentou ainda que, embora não tenha comprovação científica, ficou contente de ouvir histórias de sucesso envolvendo o método.

Se é útil para algumas pessoas e não está causando efeitos colaterais, então por que não?”, concluiu.

(JORNAL CIÊNCIA)

-- Publicidade --