Corpos de índios mortos a tiros no interior do MA serão enterrados nesta segunda-feira

segunda-feira, 9 de dezembro de 2019 às 10:53
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PF abre inquérito pra investigar assassinato de dois caciques no interior do MA. – Foto: Divulgação

Os corpos dos caciques Firmino Silvino Guajajara e Raimundo Bernice Guajajara, que foram mortos a tiros em um atentado a indígenas no Maranhão, serão enterrados nesta segunda-feira (9) na Terra Indígena Cana Brava, no município de Jenipapo dos Vieiras, localizado a 506 km de São Luís. No ataque, outros dois índios ficaram feridos.

De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde (PF), um dos índios feridos está internado no Hospital Macrorregional de Presidente Dutra onde foi submetido a uma cirurgia. Ele encontra-se estável, mas seu estado de saúde ainda é considerado grave. O outro indígena está internado na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Jenipapo dos Vieiras e a previsão é que receba alta nesta segunda. Os dois estão sob proteção policial.

Um representante do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos deve desembarcar nesta segunda-feira (9) no município de Imperatriz para realizar uma visita a aldeia indígena em Jenipapo dos Vieiras e acompanhar as investigações.

Raimundo Guajajara morreu durante o ataque a índios em Jenipapo dos Vieiras no Maranhão — Foto: Divulgação/Apib

De acordo com a Fundação Nacional do Índio (Funai) informou que está sendo acompanhado por representantes e rondas ostensivas feitas pela Polícia Militar estão sendo realizadas na região em busca dos atiradores. O coordenador da Funai em Imperatriz, Guaraci Mendes, acredita que o crime pode ter relação com os constantes assaltos registrados no trecho da BR-226.

Em um vídeo que circulou nas redes sociais minutos depois do ataque, o indígena Nelsi Guajajara, que ficou ferido durante o ataque, contou que foi surpreendido por um veículo de cor branca que disparou diversas vezes contra a motocicleta onde ele e Firmino Guajajara estavam.

Índios protestam

Por conta dos atentados, os índios Guajajaras bloquearam por quase dois dias ao trecho da BR-226 na altura das aldeias indígenas Boa Vista e El Betel, localizado entre os municípios de Barra do Corda e Grajaú. O trecho foi totalmente liberado no final da tarde desse domingo (8).

Os indígenas usaram galhos e pedaços de madeira para bloquear os três pontos da BR-226. Motoristas que precisavam passar pelo trecho tiveram como opção usar as BR-010, BR-222 ou pela BR-135, que compreende o trecho entre São Luís até o município de Paraibano, no Maranhão.

Após atentado, índios bloqueiam a BR-226 no Maranhão. — Foto: Divulgação/Josoaldo de Oliveira

Um congestionamento de veículos de mais de 1,5 quilômetro foi registrado na área. De acordo com a Polícia Rodoviária Federal do Maranhão (PRF-MA), os índios chegaram a atacar com pedras um ônibus que trafegava pela região. As janelas do veículo foram quebradas e a ação causou pânico e medo nos passageiros.

Repercussão

A líder indígena Sônia Guajajara se manifestou sobre o atentado e se solidarizou com os familiares das vítimas. “É com profundo pesar e indignação que externo meus mais sinceros e profundos sentimentos aos familiares de Firmino Silvino Prexede Guajajara e Raimundo Guajajara que, neste momento, sentem a dor e a tristeza de perderem pessoas queridas por tamanha brutalidade que hoje fez novas vítimas dentre o Povo Guajajara” .

“Minha solidariedade às vítimas de violência contra povos indígenas. As equipes estaduais de segurança estão colaborando com as autoridades federais competentes para questões indígenas. Policiais civis já em atuação”, escreveu o governador.

O presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB no Maranhão, Rafael Silva, diz que o órgão está preocupado com o ataque que aconteceu um mês após o assassinato do líder indígena Paulo Paulino Guajajara.

Crimes contra índios

Há um mês, o líder indígena Paulo Paulino Guajajara foi morto durante uma emboscada na Terra Indígena Araribóia, na região de Bom Jesus das Selvas no Maranhão. O conflito também causou a morte do madeireiro Márcio Greykue Moreira Pereira e deixou ferido o primo de Paulo Guajajara, Laércio Guajajara.

Paulo Paulino Guajajara era membro dos ‘Guardiões da Floresta‘, um grupo de índios que vigia, protege e denuncia madeireiros com o intuito de proteger a natureza. Os conflitos entre madeireiros e indígenas já haviam sido denunciados às autoridades, e as ameaças aumentaram após a apreensão de veículos utilizados na extração ilegal de madeiras em terras indígenas no Maranhão.

Paulo Paulino “Lobo Mau” Guajajara morreu em emboscada no Maranhão. — Foto: Sarah Shenker/Survival International

O índio Paulo Paulino Guajajara estava incluído no Programa Estadual de Proteção aos Defensores de Direitos (PPDDH). Após o crime, outros três guardiões também estavam incluídos no programa, foram retirados das aldeias e levados para lugares sigilosos. O retorno deles para as aldeias depende do fim das ameças.

De acordo com a Sociedade Maranhense de Direitos Humanos (SMDH), de 2016 a 2019, 13 indígenas foram mortos em decorrência do conflito com madeireiros no Maranhão. O assessor jurídico e membro da SMDH, Antônio Pedrosa, afirmou que nenhuma das pessoas envolvidas nos casos foi identificado ou levado a julgamento.

(G1/MARANHÃO)

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