Pesquisa comprova relação entre baixo investimento em saneamento e problemas de saúde

quarta-feira, 7 de novembro de 2018 às 11:36
Pesquisa comprova relação entre baixo investimento em saneamento e problemas de saúde. – Foto: G1

Uma pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) apontou que os municípios com baixo investimento público em saneamento básico têm altos índices de doenças relacionadas a deficiência no serviço de água e esgoto. Segundo o relatório, a situação melhora em municípios que recebem investimento privado.

De acordo com a CNI, entre os anos de 2014 e 2016, foram investidos pouco mais de R$ 60 em saneamento por habitante. No topo desse ranking negativo estão os estados de Rondônia que investiu apenas R$ 25,40 por pessoa, Amapá com R$ 30,44, seguido do Amazonas com R$ 38,74, Piauí com R$ 43,08, Pará com R$ 47,81 e o Maranhão com R$ 55,13.

Se o investimento é baixo, o serviço não chega. No Pará e em Rondônia, por exemplo, menos de 10% da população tem acesso à rede de esgoto. No Maranhão, apenas 30% da população tem saneamento básico, e mesmo onde o serviço chega a qualidade não é garantida.

No Maranhão apenas 30% da população tem saneamento básico, diz CNI — Foto: Reprodução/TV Globo

Em uma das áreas mais valorizadas de São Luís o problema do esgoto é crônico. Nos últimos anos foram sendo construídos prédios e mais prédios e o sistema não comportou, e o resultado são ruas alagadas, com água suja e que cheira mal. O problema é tão grave que no ano de 2017 a Justiça determinou que nenhuma nova edificação pode ser erguida na região, até que a rede de esgoto seja ampliada.

O empresário Pablo Munin diz que a falta de saneamento prejudica a imagem de São Luís, que é considerada uma cidade turística. “Nós estamos diante de um bairro que o metro quadrado é mais caro da ilha de São Luís e aí a gente não ter esgoto é um absurdo para uma capital, para uma cidade turística”, reclamou.

Três cidades do Maranhão privatizaram o serviço de saneamento básico, de acordo com estudo da CNI — Foto: Reprodução/TV Globo

De acordo com o estudo da CNI, nos municípios que terceirizaram o saneamento o investimento aumentou. No Maranhão três cidades privatizaram o serviço. Em Paço do Lumiar, na Região Metropolitana da capital, o investimento aumentou em 36 vezes depois da terceirização. O fornecimento de água que atendia 43% da população passou para 60%. O de esgoto ainda não foi informado.

Os dados mostram ainda uma relação direta entre o baixo investimento e as doenças causadas pela falta de saneamento. Para o sanitarista Lúcio Macedo a falta de infraestrutura aumenta o surto de doenças como a dengue, a chicungunya e a zika. “Afeta nossa população eminentemente carente de infraestrutura sanitária, principalmente, com as verminoses em primeiro plano e as diarréias. Segue-se a dengue, a chicungunya e a zika”, finalizou.

Falta de infraestrutura aumenta o surto de doenças como a dengue, chicungunya e a zika, diz sanitarista Lúcio Macedo — Foto: Reprodução/TV Globo

(G1/MARANHÃO)

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