
Pesquisadores do Instituto Federal do Maranhão (IFMA) lançam cartilha sobre comunidades quilombolas do município de Bequimão, a 54 km de São Luís. O material chegou às mãos de quilombolas e de gestores do município durante a cerimônia de abertura da Semana do Bebê Quilombola, realizada na segunda-feira (7).
A equipe do Núcleo de Maricultura (Numar), formada pela professora Izabel Funo (Campus Maracanã), coordenadora do estudo, pelo professor Caio Lourenço (Campus Itapecuru) e pelo estudante da Licenciatura em Ciências Agrárias, Paulo Protasio, percorreu as comunidades de Ariquipá, Conceição, Juraraitá, Marajá, Mafra, Pericumã, Ramal de Quindíua, Rio Grande, Santa Rita, Sibéria e Suassuí, todas já certificadas pela Fundação Palmares. Nelas, conversaram com 144 moradores, que responderam a questionários, com perguntas voltadas a compor o perfil demográfico e a compreender a organização econômica, a relação com o meio ambiente e as demandas por capacitações técnicas.
“Vivenciar um pouco da realidade das 11 comunidades remanescentes quilombolas de Bequimão permitiu compreender as lutas e demandas dessas comunidades tradicionais por políticas públicas que possam garantir seus direitos”, comentou o pesquisador Caio Lorenço, doutor em Ecologia Aplicada.
Nas comunidades quilombolas, onde moram cerca de 670 famílias, os pesquisadores identificaram, por exemplo, que 91% da produção rural são destinados ao consumo próprio e apenas 9% vão para comercialização. As terras ancestrais abrigam o cultivo de alface, cebolinha, cheiro-verde, milho, feijão, mandioca e arroz. Há lugar, ainda, para laranja, murici, batata doce, banana, coco e abacate, em frutíferas próximas às casas.
Os homens e as mulheres dos quilombos cultivam e extraem o sustento de suas famílias do trabalho árduo na agricultura e, muitos deles, também se dedicam à criação de galinhas, bovinos, suínos, caprinos, patos, capotes e peixes. O alimento é garantido nas mesas, mas, apesar de tanto esforço, a produção ainda não tem sido usada para gerar mais renda aos quilombolas. Segundo dados divulgados na cartilha, a renda por pessoa varia entre R$ 83,53 e R$ 449,71. Mais de 42% da população dependem de benefícios sociais, como o Bolsa Família, e 25% vivem da aposentadoria.
Nas conversas com os pesquisadores, os moradores das comunidades disseram que têm interesse em aprender mais sobre o trabalho técnico no campo. A cartilha traz, inclusive, as principais demandas por capacitações. Duas delas já foram ofertadas: cultivo de ostras e cultivo de peixe.
“Pude observar o potencial das comunidades quilombolas, o desejo de aprender coisas novas, que emanava de seus olhares curiosos durantes as atividades teóricas e práticas”, destacou o jovem pesquisador Paulo Protasio, que fez uma análise ainda mais detalhada em sua monografia “Caracterização socioeconômica e ambiental e capacitação em aquicultura nas comunidades remanescentes de quilombolos do município de Bequimão, Maranhão”, defendida na última sexta-feira (11).
Meio Ambiente
Em comunidades remanescente de quilombolos, a relação com a natureza e com os diferentes elementos dos territórios é muito forte. Apesar disso, em Bequimão, poucos quilombolas conhecem a existência de áreas protegidas. Segundo levantamento feito pela equipe do Numar/IFMA – Campus Maracanã, 95,1% não sabem que suas terras estão dentro da Área de Proteção Ambiental (APA) das Reentrâncias Maranhenses, da APA da Baixada Maranhense e da Reserva Extrativista Itapetininga.












