
Os dados alarmantes foram divulgados no Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2016, publicado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, que coloca o Maranhão em sétimo lugar com uma das policias que mais matam no Brasil. Somente este mês, três pessoas inocentes foram assassinadas a tiros por profissionais da área de segurança pública. Nos últimos três anos, 11 cidadãos de bem tiveram a sua vida ceifada pelas mãos de policiais militares ou civis.
O caso mais recente ocorreu na cidade de Imperatriz na noite de domingo, 15, e a vítima foi o funcionário de uma terceirizada da empresa Suzano, identificado como Tarcísio Mota Miranda, de 30 anos. O delegado Eduardo Galvão, da regional de Imperatriz, informou que o primeiro sargento da Polícia Militar, Cândido Neto Vieira, apresentando sinais de embriaguez teria efetuado vários tiros em direção ao bar do Martinho, no centro da cidade.
Um dos tiros atingiu a cabeça de Tarcísio Mota, que morreu local. Outra bala passou de raspão no braço e na testa de uma mulher, que foi levada pela ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) para o Hospital Municipal de Imperatriz (HMI), onde foi medicada. “O sargento foi preso em flagrante e até a tarde de sexta-feira, 20, estava preso em uma das celas do 3º Batalhão da Polícia Militar”, disse o delegado
Quem também está preso nesse quartel pelo crime de homicídio é o cabo Wilson Castro de Nascimento, o Nego Wilson, acusado de ter participado do assassinato do proprietário da panificadora Todas Tortas, Valdiney Pereira da Silva, de 41 anos, ocorrido no dia 27 de abril deste ano.
Duplo assassinato
Somente na capital ocorreram dois assassinatos praticados por policiais este mês. Na noite do último dia 14, o funcionário do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis (Ibama), Ademar Moreira Gonçalves, de 36 anos, foi executado na Avenida Litorânea, no Calhau, pelo policial civil, José Carlos da Silva Verde, lotado na Superintendência Estadual de Investigações Criminais (Seic).
A vítima foi baleada nas costas e ao perder o controle do seu veículo Honda Civic, de placas MWU-3445, colidiu com três veículos: um Ford Fiesta, de placas PSF-7509; um Gol, de placas OJB-1131; e uma motocicleta Pop, de placas PSJ-5994.
Na última sexta-feira, 20, funcionário do Ibama realizaram uma manifestação em frente ao órgão, solicitando providências para que o acusado pelo crime seja punido.
A outra vítima foi Gemyson Kleyton Machado Pereira, de 29 anos. Ele foi morto a tiros disparados pelo policial civil Júlio César Batista Almeida, que o confundiu com um criminoso. O fato ocorreu na madrugada do dia 7, na Praia Grande.
Denúncia
No dia 2 deste mês, o Ministério Público ofereceu denúncia ao Poder Judiciário em desfavor dos policiais militares, André Zacarias Passos Dias, Bruno Rafael Moraes, Joas Gomes Nunes e Raifran de Sousa Almeida, acusados de matar a estudante Karina Brito Ferreira, de 23 anos, e de tentativa de homicídio contra a irmã dela, Kamila Brito Ferreira, na cidade de Balsas.
As vítimas voltavam de um velório na madrugada de 14 de dezembro do ano passado, quando foram perseguidas e baleadas pelos militares que ocupavam um carro descaracterizado. Karina Ferreira levou 17 tiros. Os militares realizavam diligências visando localizar o esconderijo de uma associação criminosa que havia explodiu as agências do Banco do Brasil e do Bradesco no dia anterior, na cidade de Fortaleza dos Nogueiras.
Também neste mês, dia 4, a Justiça de Imperatriz manteve na prisão os policiais militares Jhon Mike Barros de Sousa, Wictor José Santos Lira e Mailton Pereira Pacheco durante a audiência de custódia, presidida pela juíza Ana Lucrécia, realizada no fórum de Imperatriz. Eles são acusados do assassinato do serralheiro Josley de Sousa Sousa, ocorrido no dia 9 de fevereiro deste ano, no bairro Ipiranga, em Imperatriz.
Caso Buriticupu
Um dos casos até hoje não esclarecido, envolve o desaparecimento do cabo Júlio César da Luz Pereira e do soldado Carlos Alberto Constantino Sousa, ambos da Polícia Militar, ocorrido no dia 17 de novembro do ano passado, na cidade de Buriticupu. O caso foi investigado pela Polícia Civil que concluiu pela participação de militares, que seriam integrantes de uma organização criminosa, suspeita de praticar crimes de extorsão, ameaça, roubo e apropriação indébita na região de Buriticupu.
Esse foi o resultado do inquérito instaurado pela Superintendência Estadual de Homicídios e Proteção a Pessoas (SHPP), que transcorreu em segredo de Justiça. Os acusados, identificados como tenente Josuel Alves de Aguiar e os soldados Tiago Viana Gonçalves e Gladstone de Sousa foram presos, mas hoje estão em liberdade, mas as vítimas nunca foram encontradas.
Vitória do Mearim
O primeiro caso de repercussão no atual Governo envolveu o mecânico Iraldo Batalha, de 34 anos, que foi morto a tiros, inclusive na cabeça durante uma incursão policial em Vitória do Mearim, no dia 28 de maio de 2015. Os principais acusados foram o vigilante e funcionário público da Prefeitura dessa cidade, Luiz Carlos Machado de Almeida, e os policiais militares José Miguel Castro e Flávio Roberto Gomes dos Santos.
O caso foi investigado pela equipe do delegado Jeffrey Furtado, que concluiu que não houve troca de tiros entre os policiais, o vigilante e a vítima. Ele declarou, ainda, que a barreira policial foi montada nas proximidades da entrada de Vitória do Mearim sem qualquer razão aparente e que a vítima foi executada em na praça central da cidade pelo vigilante, que participava da operação, na presença de moradores.
Os militares envolvidos no crime estão em liberdade, apesar de terem dado apoio ao vigilante, que é o único que se encontra preso.
Outros casos
No começo do mês de maio deste ano foi preso na cidade de João Lisboa, o policial militar do estado do Pará, Fábio Henrique Leite dos Santos, que em companhia de dois amigos, identificados apenas como Lucas e Adriano, teriam assassinado a tiros Adailton Nobre Lima, durante uma cavalgada na cidade de Buritirana, sudoeste do Maranhão.
No dia 11 de março do ano passado, o policial militar, identificado como Alexandre Xandu teria matado a tiros dentro da viatura, o companheiro de trabalho, o soldado Erasmo Alves Cordeiro. O fato ocorreu na cidade de João Lisboa. O autor chegou a disparar pelo menos 11 tiros na vítima morreu no local.
Número
11
É o número de pessoas inocentes mortas a tiros por profissionais da área de segurança pública nos últimos três anos no Maranhão
Entenda
Pessoas mortas por policiais nos últimos três anos
Tarcísio Mota Miranda, de 30 anos
Valdiney Pereira da Silva, de 41 anos
Ademar Moreira Gonçalves, de 36 anos
Gemyson Kleyton Machado Pereira, de 29 anos
Karina Brito Ferreira, de 23 anos
Josley de Sousa Sousa, idade não revelada
Júlio César da Luz Pereira, idade não revelada
Carlos Alberto Constantino Sousa, idade não revelada
Iraldo Batalha, de 34 anos
Adailton Nobre Lima, idade não revelada
Erasmo Alves Cordeiro, idade não revelada
(NATIVA FM)












