A vantagem da extrema direita

sábado, 24 de outubro de 2026 às 08:33
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Economista, professor da Universidade Estadual de Goiás (UEG), Itumbiara. – Foto: Arquivo pessoal

*Por Angelo Cavalcante

Ora… Se ser de direita já era fácil… Ser da extrema direita é mais fácil ainda. O trambolho só precisa SER !

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É heterodoxo, diverso e inovador nisso e que esses termos tem, possuem de pior! Enquanto a esquerda se esmera por entender os fundamentos do trabalho, tem que estudar história, formação e sentido de povo, nação e território para, claro, compor discurso e narrativa coerente, substantiva e convincente, o pessoal da “extrema” apenas É !

Pouco se lixa, pouco se importa para regras, condutas e normas; despreza ritos, procedimentos e tradições; atropela mediações e, de forma deliberada e propositada, gera confusão acerca do que está claro, límpido, líquido e certo.

Tem a coragem e a soberba de ” bater o martelo ” e sempre orgulhosos e cheios de si, gritam que: ” pau é pedra ” ou que ” a Terra é tipo um disco ” ou pior… ” vacinas não curam ” e, atrevidos, sustentam de forma aguerrida e guerreira suas visões estrambolicas.

De tão bizarro e aterrador chamam e mobilizam atenções, sensibilidades e afetos e, com as projeções das redes sociais, fazem das suas.

Seduzem… Aliás, abismos e precipícios também seduzem!

Na sua peculiar forma de ver e entender o mundo compreendem, por exemplo, que todas as pessoas e moradoras das comunidades do Rio de Janeiro são necessariamente traficantes ou vinculadas às milícias; os indígenas, portadores de costumes e tradições e que, para o caso brasileiro, ultrapassam quinze mil anos de história, são sempre os “preguiçosos”; as populações negras do país e que desde suas ancestralidades foram fundamentais e decisivas para a construção do Brasil são, para os dias de hoje e, sobretudo, no intempestuoso caso das políticas de cotas, “vagabundos” e “privilegiados”.

Não para…

No ódio que lhes é tão próprio, singular e que objetivamente é ódio contra o estado de direitos, seres humanos que cometem crimes não podem, jamais podem ser portadores de direitos. Por sinal, o mantra do ” bandido bom é bandido morto “, surge dessa concepção.

É aquilo de “prender e arrebentar!”

Essa gente, por óbvio, ativa mágoas, reabilita contradições, retoma ressentimentos, bloqueia diálogos e formas de entendimento e conforma sua pedagogia política e muito bem assentada no resgate militante e obsessivo de tragédias sociais e nacionais e que, ainda hoje, perpassam o país.

Ora, bolas…

…Todos vimos a melancólica deputada federal Júlia Zanata (PL/SC), a VIP do extremismo, como forma de comemoração a partir do seu vitorioso pleito, estalando um chicote em plena rua e, sem cerimônias ou qualquer tipo de constrangimento, o fazia em risos, estardalhaços e em tenebroso espetáculo que chocou o país.

Logo no Brasil… O país mais escravista do mundo ! E portador dos mais longos ciclos do escravismo e de toda a história!

O chicote? Sabem o que quer dizer um chicote nos meios dessa interminável revolução tecnológica? Nesse instante de revolução dos algoritmos? De um novo capitalismo e sustentado pelo financismo e pelas plataformas digitais? Conseguem ver a relevante e pulsante discrepância de tudo isso?

Chicote, meu caro… É símbolo de trabalho forçado ! Representa um tempo onde homens e mulheres teciam jornadas de trabalho e que perfaziam de 16h a 18h ao dia. Era um tempo amargo onde não existiam folgas, férias, licenças e onde uma escrava paria seu filho enquanto amassava o milho ou o feijão no penoso pilão.

Um chicote sendo erguido e vibrando no ar na mesma quadra histórica e temporal em que, depois de muita luta, por fim, se aprova uma mais do que necessária escala 5×2… Não é moleza… Já é um convite para a guerra!

Olha… O chicote, esse chicote, é uma intervenção cultural e política e que se situa no mesmo “topos” daquele onde um sujeito repulsivo, não casualmente, e para essa contemporaneidade, um ex-presidente da República e que na sessão de votação do impeachment de Dilma Roussef, rendeu loas e homenagens para um dos piores e mais macabros torturadores da ditadura militar brasileira.

Bom… A “extrema” pouco se importa com obras públicas, com benefícios sociais ou a retirada de desamparados de sua vida indescritível e medonha; quer seguir operando em suas intervenções culturais, seja na estação de metrô, no pátio da universidade ou no púlpito do congresso nacional.

Querem a cultura… A sua cultura como principal e mais eficaz arma política e de convencimento e que, conforme estamos a ver e viver, estão prontinhos e afiados para nos precipitar na pior ditadura da história desse país.

É que “extremos” amam uma ditadura sobre os corpos alheios. Por isso… Já sabemos, estamos disputando mesmo é nossas vidas!

Adiante…

Angelo Cavalcante – Economista, professor da Universidade Estadual de Goiás (UEG), Itumbiara.

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