Augustinópolis caiu na boca do mundo e vira escândalo nacional

segunda-feira, 28 de janeiro de 2019 às 08:51
Foto: Juscelino Soares/ VB

*Por Paulo Palmares

A prisão de 10 vereadores na sexta-feira (25), em uma operação intitulada Perfídia tomou fórmula de escândalo de proporção nacional mostrando as vísceras do quão podre e sórdido podem ser, repito, podem ser, as atuações de alguns agentes políticos. Augustinópolis vive, em decorrência disso, a mais profundas crise moral de sua história política. A situação é tão vexatória que onde se anda, com quem se fala, onde se lê, se veem dedos apontando para o atual Establishment político da cidade. Os holofotes estão acesos e todos estão expostos.

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Não cabe aqui, e está muito longe de ser o propósito desse texto, qualquer tipo de julgamento do coletivo ou individual. Isso é função da Justiça. Contudo nesses tempos líquidos de WhatsApp e de redes sociais, onde qualquer um se vê no direito de julgar e condenar sem nenhum tipo de pudor ou parcimônia, infelizmente as condenações prévias já estão acontecendo.

No senso comum, todos os vereadores presos são escroques políticos usurpadores do dinheiro público. E com este juízo de valor todos viraram de imediato chacotas nas rodas de conversas e nas famigeradas redes sociais.

Não resta dúvida que é devastador para a moral social e política de uma sociedade e para sua identidade como povo, lê no noticiário que dez vereadores de uma Câmara, composta por onze nomes, estão presos.

São dez representantes do povo encarcerados, dez homens e mulheres, pais e mães de família, dormindo atrás das grades sob o manto dolorido e vergonhoso da suspeição de atos inapropriados para as funções as quais foram escolhidos. São também dez parlamentares afastados judicialmente de suas funções pública por um prazo de 180 dias.

Augustinópolis foi exposta a um escândalo de natureza político/moral de proporção nacional. Consequentemente, toda a população augustinopolina, formada especialmente de pessoas humildes, trabalhadores, empresários e cidadão comuns, também se sentiu ultrajada e humilhada com a exposição da cidade.

Simplesmente lamentável, é o mínimo que pode-se dizer!

Porém, nem tudo que se vê, que se fala, que se escuta ou se suspeita, é a verdade nua e crua! Sabemos, por muitos meios e ângulos que a casta política do Brasil e de todo o mundo, com honrosas exceções, não é composta de santos imaculados, muito menos de virgens inocentes. Mas daí jogar, no caso específico, todos na mesma lata de esgoto com o mesmo fedor e dar o caso por encerrado, com uma sentença única, pode parecer também uma insanidade da mesma sociedade que se vê usurpada por seus representantes políticos.

As cidadãs e cidadãos de Augustinópolis devem fazer uma profunda reflexão deste momento, que por mais dolorido que possa ser é também histórico e pedagógico. Os eleitores de Augustinópolis, salvo as raríssimas exceções, devem passar a se comportar diferente na hora empenhar seu votos, exigindo do candidato o que de fato ele deve e pode oferecer e dar para a população que é um mandato honrado e de relevantes serviços para cidade e para seu povo, como preconiza a Constituição Federal. Já os candidatos, quando forem pedir votos, que não ofereçam aos eleitores nada mais do que as suas atribuições legais determinam e permitem.

Os próximos dias serão, de grande aflição para os vereadores e vereadoras afastados. Para eles, a missão primordial agora é ganhar a liberdade. Além disso, alguns, ou todos, tentarão defender seus mandatos – o que provavelmente não será fácil. O passo seguinte, claro, é tentar salvar o que um homem e uma mulher tem de mais precioso: a honra.

Caberá a cada um, no âmbito da Justiça provar sua inocência. O que também deverá ocorrer no âmbito social, mas, com certeza, essa será uma tarefa muito mais difícil. Nas redes sociais, e em todos os extratos da vida cotidiana, existem “juízes” implacáveis e inquisidores frios, desumanos, inconsequentes e moralistas de plantão que não aceitam o contraditório e não perdem a oportunidade de enterrar qualquer um vivo.

O Ministério Público (MP), a Polícia Civil (PC) e o Poder Judiciário têm papel preponderante na manutenção dos direitos e garantias fundamentais dos seres humanos. Combater a corrupção, seja ela em que nível for, de certa forma, é uma maneira de garantir aos cidadãos estes direitos. A corrupção, por exemplo, lesa e impede que direitos como saúde e educação cheguem às camadas menos favorecidas da sociedade. Por isso, as instituições que compõe o Poder Judiciário, PC e o MP, merecem os aplausos da população e devem continuar investigando, instaurando o devido processo legal, e, em caso de condenação, prendendo.

Paulo Palmares é empresário e diretor responsável do portal de notícias Voz do Bico

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