
*Por Angelo Cavalcante
Lula mal havia desembarcado na Argentina para o encontro com seu homônimo, o Presidente Alberto Fernandez, e economistas liberais já partiram ferozes com a ira e a desconfiança típicas.
A coisa piorou quando Lula, atrevido e atento, propôs de imediato, a criação de uma moeda comum a envolver os importantes mercados brasileiro e argentino.
A “SuR” (em português: Sul), nome sugerido pelos chefes-de-Estado, seria esse meio circulante a ativar, agilizar e intensificar trocas e intercâmbios comerciais entre as duas principais economias do “Cono Sur”.
No bom cumprimento dessa idéia, nós, brasileiros e argentinos, só teríamos a ganhar.
De pronto e de imediato, “la moneda” iria alterar positivamente fluxos, restrições, burocracias e limites alfandegários, aduaneiros e fronteiriços; empresas e consumidores dos dois países se aproximariam como nunca e um sem-número de negócios ou possibilidades negociais seriam de imediato, fomentados.
Grãos, óleos e fibras brasileiras seriam negociadas em velocidade nunca vista na praça portenha; o sistema bancário brasileiro e argentino iriam praticamente se fundir dada a consonância salutar desse processo econômico e monetário.
Diferenças e custos operacionais típicos de economias dependentes como as dos dois países teriam que ser superadas concomitantemente para o enfrentamento de desvios deficitários, tecnológicos ou inflacionários; esse esforço e dinâmica integrativa teria evidentes dimensões e reverberações culturais, políticas e educacionais.
Instituições de governo, com o “andar das carruagens”, teriam que necessariamente, realizar de forma conjunta, planos, ajustes, cursos e metas de trabalho.
Na verdade, os dois países teriam que dar forma para novas instituições de governo para esse “PIBão” e que despontaria do eixo Brasília-Buenos Aires.
O Presidente Lula não disse nenhum absurdo, ao contrário, moderno e futurista, segue tendência global a envolver as melhores práticas internacionais e realizadas pelos principais países e empresas do mundo.
Universidades, Ong’s e entes da sociedade civil adentrariam inevitável e necessariamente nessa baila virtuosa a envolver economia e sociedade.
Economistas de direita, bem vimos, tascaram a denunciar a crise da Argentina, seu endividamento interno/externo e suas taxas de desemprego.
É cada uma… “Cara pálida”… Nós, os brazucas, estamos a quatro décadas sem crescer, estamos dentre os países com as maiores quantidades de desempregados do mundo; para mais de quarenta milhões de brasileiros estão enfiados nas mais rasgadas informalidades e apetecidas em praças, esquinas, cruzamentos e em escadarias de igrejas.
Seguiremos assim?
Não há outra saída… Ou nos integramos ou nos afundamos! É condição, determinação sócio-histórica tanto do Brasil quanto da Argentina ou, não tem jeito, iremos perecer inexoravelmente nas bordas derradeiras dessa periferia global.
Lula acerta!
Por cinco séculos somos parte decisiva do desenvolvimento europeu; estamos a ver e conferir o resultado objetivo dessa conta e dessa relação. É momento de rever TODO esse dramático quadro!
Viva a “SuR”!
Angelo Cavalcante – Economista, professor da Universidade Estadual de Goiás (UEG), Itumbiara.
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