Guerra dos mundos!

terça-feira, 21 de fevereiro de 2023 às 07:45
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Foto: Kevin Schneider/ Pixabay

*Por Angelo Cavalcante

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O Brasil precisa voltar a crescer. Não existe nenhuma razão para a taxa de juros estar em 13,75%.

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Lula da Silva – Presidente do Brasil
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É mais que espantoso…

…Uma rede de bancos, financeiras e corretoras situada, sobretudo, na trinca do capitalismo global (EUA/UE/Japão) controla a economia do mundo.

Seu eixo de atuação é essencialmente, a especulação.

Exploram ou super-exploram taxas, “spreads”, juros, índices e valorizações fictícias e fantasmagóricas de ações, fundos, seguros, resseguros ou reparem mesmo, de tais e determinados negócios e que, de verdade, sequer existem.

Exploram palavras, idéias, expectativas e possibilidades e… Ganham! Ganham muito!

São grandes, imensos centros de gravidade e que por seu tamanho, peso e envergadura, atraem, puxam e succionam todas as demais formas de capital ou inversões às suas esferas.

Nos desníveis inflacionários, nas dinâmicas inter-estatais ou no jogo de déficits/superávits próprio dos ciclos produtivos globais as torrenciais ondas do financismo adentram no vasto das economias com força e peso jamais vistos ou confabulados na história humana.

Não há, observem, império ou “dommus” que possua ou que tenha possuído a profundidade econômica, a capilaridade e os índices de presença e constância e que essa dita “economia” da especulação possui para os infelizes tempos presentes.

Em letras miúdas…

…Podemos imaginar, por exemplo, uma pequena agência bancária na fictícia “Cucuia do Norte”, no importante estado de “Bananeiras de São Benedito”.

Pois sim…

…Essa miúda agência operando hipoteticamente sob a lógica de rentistas do “mainstream” do capital globalizado e que existe, é claro, para emprestar, para vender dinheiro aos “cucuianos” tem, antes de qualquer coisa, a potência e a capacidade de alinhar, ordenar todos os fazeres produtivos de “Cucuia” aos seus interesses e objetivos.

Seja a criação de galinhas do Pedro; a pesca artesanal do Pereira ou; o conserto de roupas rotas feito na esquina pela viúva Maria.

Tudo vira TUDO!

Essa agência bancária e que nunca é só uma agência bancária, irá pesar decisiva e discretamente na política local, na cultura, na religião, na base familiar, nas relações interpessoais e no cotidiano de “Cucuia”.

De outra feita, a gloriosa “Cucuia do Norte” será reconstruída, refeita a imagem e semelhança dessa mesma agência e que, feito, correia de transmissão, traz a “globalização”, seus vícios, pecados e delícias ao remoto e puro mundo de “Cucuia”.

Bom…

…O trabalho concreto e produtivo é, em primeiro, dominado para, em seguida, e em “última ratio”, se tornar complemento.

Um dispositivo acessório e absolutamente necessário às próprias dinâmicas especulativas e globais e que, não por menos, “Cucuia do Norte” é parte integrante, ativa e imprescindível.

Pode parecer contraditório mas essa “coisa do especulum” não pode existir sem, tal qual um complexo parasita, se hospedar no mundo da produção real, onde esse infame e fatal corpúsculo suga, prospecta, bebe da energia vital e alheia ao ponto de, de fato, matar aquele que o hospeda.

É algo fantástico!

No entanto, atenção… Não é mágica, metafísica ou qualquer tipo ou sorte de fenômeno de extra-mundanidade apetecendo; é isso sim, moderna e muito eficaz engenharia econômica com princípios epistemológicos e cognitivos; método, começo, meio, fim e previsibilidade.

Isso mesmo!

Sua previsibilidade é tornar e converter a produção concreta em um todo monetário ampliado, vasto e é claro, líquido.

É transmutar valor em anti-valor; é fazer do que é objetivo em algo irreconhecível, intraduzível e subjetivo; sua lógica e seu “moto” é trespassar, superar o mundo do real e ingressar coletividades, comunidades e populações inteiras em mundos paralelos e fictícios onde, por sinal, as marcas e determinações científicas e clássicas da ECONOMIA somem, desaparecem!

Balizas e esteios definitivos como TRABALHO, PRODUÇÃO, GENTE, POVO, PAÍS, SOBERANIA ou GESTÃO… Desaparecem por completo.

Como nos questiona o Professor Celso Furtado: ” Isso é economia? “.

O muito e bastante contraditório de toda essa galáxia de “anti-economia”, em que pese ser um imenso todo entesourado é que esse colosso, reparem…

…Não constrói uma sala-de-aula, não dá forma para um metro quadrado de asfalto, não põe uma aspirina na boca de um velho doente; não garante duas gotas de vacina para crianças yanomami; não gera “meio emprego” para o “boy” da repartição; não permite sobra para a poda do miúdo jardim da creche; não paga moeda de cego de impostos aos sempre insuficientes recursos da administração pública e, sobretudo, não ventila qualquer possibilidade de se desatrepar das costas e dos ombros de milhões de trabalhadores pobres e miseráveis e espalhados, esparramados por todos os continentes da Terra.

Não podem… De fato, não podem! Ao fim, é daí e justamente daí que vem o grosso, o essencial dos seus lucros e retornos…

Da LOUCURA!

Angelo Cavalcante é economista, professor da Universidade Estadual de Goiás (UEG), Itumbiara.

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