Hidroxicloroquina, a patente do atraso e da racionalidade cínica

quarta-feira, 27 de maio de 2020 às 15:20
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Voz do Bico
Jorge Paulo Pontes da Silva. Foto: Arquivo pessoal.

*Por Jorge Paulo Pontes da Silva

De onde virá o milagre não sabemos, mas é pouco provável que tenha DNA brasileiro. Poderíamos destacar ao menos quatro estudos bem avançados nos Estados Unidos. Entre eles a pesquisa da vacina de nanotecnologia DNA, como vem sendo chamada, financiada pela Fundação Bill e Melinda Gates em parceria com órgãos de estado dos Estados Unidos. No continente europeu, estudos avançam com rapidez. Na China, temos três vacinas em fase avançada de pesquisa, prontas para ser testadas em humanos, além do medicamento que “permitiria acelerar a cura dos doentes, assim como imunizar os indivíduos por semanas ou meses, o que seria de rápida aplicação nos profissionais da saúde.

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Como anunciou o Instituto para a Investigação Biotecnológica, órgão ligado ao Ministério da Defesa de Israel, pesquisadores israelenses buscavam viabilizar patente de nova vacina, após conclusão da fase de desenvolvimento do anticorpo. Em Cuba o enfrentamento da covid-19 ganha reforço com dois medicamentos de uso combinado. Uma das drogas é o Itolizumab. A outra, um peptídeo, usado no tratamento clínico da artrite reumatoide. É importante dizer que ambas foram desenvolvidos na ilha caribenha. As duas drogas conseguiram inverter 80% dos casos graves ou em estado crítico.

Apesar das duras críticas da extrema-direita, Cuba se destaca na medicina preventiva e na biotecnologia farmacêutica. Pois bem, e o Brasil? Qual o lugar do nosso país na frente contra a pandemia? O que vejo é que mais uma vez o país largou em último lugar e saiu tropeçando nos cavaletes. No mesmo dia (19 de maio) em que o Brasil anunciou as 1779 mortes em 24 horas, Argentina anunciou 11 mortes, com achatamento vertiginoso da curva de mortes por covid-19. Algo incrível.

No Brasil, o presidente da república é o principal crítico da quarentena e do isolamento social, bem como o principal responsável pela fixação coletiva no medicamento Hidroxicloroquina. O governo de extrema direita se recusa a seguir o caminho das pedras e investir milhões em pesquisa, fato corroborado pela negativa de Bolsonaro em investir no fundo de pesquisa e desenvolvimento de vacinas, liderado pela União Europeia. Esse fundo hoje é um dos principais agentes no combate ao coronavírus no mundo. E o Brasil está fora da mudança, no rabo da fila, por opção. De placebo dado às massas, a Hidroxicloroquina pode vir a ser o efeito nocebo do governo.

Jorge Paulo Pontes da Silva é graduado em Letras e estudante do curso de Direito na Unitins-Augustinópolis.

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