A linguagem e os atos falhos

quarta-feira, 24 de janeiro de 2018 às 17:30
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* Por Marcos Milhomens

Os mesmo erros. Os mesmo equívocos.

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Quantas vezes, dentro do processo de autocrítica, você já se perguntou isto?

Segundo o pai da Psicanálise, Sigmund Freud, através do ato falho o desejo do inconsciente é realizado. Por isto pode ser inferido que nenhum gesto, pensamento ou palavra acontece acidentalmente.

Os atos falhos são diferentes do erro comum.

Freud evidenciou que o ato falho era como sintoma, constituição de compromisso entre o intuito consciente da pessoa e o reprimido.

Ato falho abrange também erros de leitura, audição ou dicção de palavras.

São circunstâncias acidentais que não tem valor e não possuem consequência prática.

Os atos falhos são compreendidos por muitas pessoas como falta de atenção, cansaço, eventualidade, porém podem ser interpretados como manifestações reprimidas.

Uma definição interessante foi a do “Pequeno Shakespeare” Roberto Bolãnos, nosso eterno Chaves:

“Foi sem querer, querendo”.

Os anos passam, a vida vai se completando e o que fazemos com o máximo de primazia é continuar errando.

Conscientemente falando, é sem querer. Mas inconscientemente, é querendo.

Isso explica muito a linguagem no sentido psicanalítico de conduta terapêutica.

Esbravejamos sobre a vida alheia.

Estabelecemos nossos padrões aos outros.

Mas abominamos admitir tudo isso.

Aí apontamos o indicador direito, riste à face do errante. Cheios até o talo de razão. Mesmo estando a um milímetro da obtusidade, nos sentimos no direito ou com autoridade para fazê-lo.

Reconstruir modelos e desfazer paradigmas talvez possa ser um caminho.

Marcos Milhomens, Comentarista Político.

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