
*Por Illya Nathasje
Não é simples.
Não é fácil.
Mas desde o início do mundo a mulher prova, todos os dias, que é possível.
Não foi por acaso que, na origem da criação, Deus lhe confiou o chamado primeiro da vida: “crescei e multiplicai-vos”.
Há nisso uma dádiva — e também um destino de força.
Por graça divina fostes escolhida para ser o que és:
princípio da vida, companheira, mãe, mulher.
E ainda assim, no meio do caminho, surgem as pequenas violências.
Uma palavra mal colocada.
Um gesto que chega sorrateiro, escondido sob o disfarce de opinião, travestido de manifestação.
Mas não é.
Não é opinião.
Não é coragem.
É apenas o medo.
O medo de quem não suporta a liberdade feminina.
O temor de quem tenta domar o que nasceu para ser livre.
É o lixo moral que alguns insistem em vestir como “defesa da honra”.
Chamemos pelo nome:
é misoginia.
A parte mais pobre — e mais podre — de um homem que teme aquilo que não consegue compreender.
Ainda assim, a caminhada da mulher segue.
Feita de detalhes, de resistência silenciosa, de reafirmação cotidiana do próprio lugar.
Não por vaidade.
Mas por dignidade.
E dignidade, como sabemos, não se improvisa.
Ela nasce da experiência, da travessia, da memória de quem atravessa o tempo de cabeça erguida.
Como uma lei silenciosa que o vento repete aos distraídos:
Respeitar uma mulher não é favor.
É o mínimo que um homem deve oferecer à humanidade.
Porque, como escreveu Clarice Lispector, “a liberdade é pouco; o que eu desejo ainda não tem nome”.
Talvez seja isso que tantos temam:
a mulher que sabe quem é,
que caminha inteira,
e que não pede licença para existir.
Respeitá-la é compreender a vida.
É reconhecer, com humildade, que toda existência começa nela.
Como um cântico antigo que atravessa o tempo —
uma saudação à própria vida.
Illya Nathasje
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