
*Por Angelo Cavalcante
A reunião de no. 253, do Conselho de Política Monetária (COPOM); realizada em 22/03/2023, confirmou ” por a mais b” sua estrita afinação e compromisso com a banca e garantiu e manteve a escandalosa e pornográfica taxa de 13,75%a.a.
Dessa forma, foi assegurada a continuidade de uma sequência de altas e muito altas taxas de juros e iniciada em 03/08/2022, já na reunião de no. 248.
Assim são seis ininterruptos meses de reuniões do COPOM onde é afirmada categórica e reiteradamente a pior – PIOR – e mais deletéria política monetária do planeta.
Especialistas globais como Jefrey Sachs e Joseph Stiglitz, dois “abocanhadores” de prêmios Nobel falaram, avisaram “NÃO FAÇAM ISSO!” mas… Nada… Quem sabe mesmo de política monetária, variações e suas implicações com a economia-mundo é o “cercadinho” bolsonarista e instalado no Banco Central do Brasil.
Lamentável e vergonhoso!
Vejam… Na exceção do miúdo e restrito monopólio de bancos, financistas e rendeiros outros, essa “semestrada do rentismo” não interessa a mais ninguém.
Vou tentar ser mais claro acerca desse absurdo de deseconomias e muito bem representado pela nossa estratosférica e completamente irracional SELIC…
…É como colocarmos no reboque de um FIAT 147 ( Lembram dessa raridade!? ) um pedregulho de quatro toneladas para ser arrastado. O que pode sair dessa insanidade?
Bom… Nessa estranha relação e desproporção, a tendência é mesmo a de, pelo menos, estourar o motor do “147” e a pedra, por sua vez, sequer vai balançar.
Igualmente absurdo é acionar uma carreta “jamanta” para transportar dois pacotes miúdos de lenços de papel. Seria algo completamente desbaratado, inadequado e completamente “nonsense”. É que economia é proporção, adequação, métrica e relação correta, justa e moderna com a sociedade e com o mundo da produção ou não é economia.
As duas comparações descabidas visam pedagogicamente, traduzir o tamanho e a grandeza do crime de lesa pátria e perpetrado por bancos privados – sobretudo, bancos privados – e que estão apostando todas as fichas e níqueis, primeiro, na própria falência do nascente governo Lula para; em seguida, arrasar com a economia brasileira.
Não é exagero!
Com 13,75% ( o “treze” não é casualidade; aliás, é provocação aberta a Lula!) a economia do trabalho, formação e constituição de divisas, frentes, dinâmicas e circuitos virtuosos a envolver geração/circulação/consumo está cancelada, impossibilitada e sem chances de realização.
Aliás, Campos Neto, o serviçal manso do financismo e que ocupa a muito importante presidência do Banco Central, virou espécie de, digamos, primeiro-ministro do país.
Isso mesmo!
Sem percebermos, uma “coisa política” e que alembra o parlamentarismo foi adotada e imposta a partir do BACEN onde o Presidente da República, aceite-se isso ou não, partilha do poder do seu ofício e de suas atribuições constitucionais com seu “outro” na macro-gestão do país.
O muito… Muito estranho dessa equação é que o “outro” não registrou candidatura, não há seu nome em qualquer escaninho do TSE, não fora eleito pela população; tampouco foi indicado pelo parlamento; muito menos pela bancada majoritária de deputados federais.
Então, definitivamente, não há parlamentarismo!
Mas, como não é presidencialismo posto que o Presidente, reparem bem, pode gerir “tudo”, menos o essencial: a GRANA, seus níveis de valorização, sua fluência e fruição…
…E como dito, a possibilidade de parlamentarismo está, de fato, descartada já que o “despota do BC” não ascendeu ao poder por qualquer real escolha ou opção do próprio parlamento; para o citado caso, a câmara federal, no máximo referendou a opção advinda do Planalto, estamos diante de grave questão política e administrativa.
Não sendo nem um e nem outro… O que é, ao fim, o poder de Campos Neto?
Bom… Para bem adiante dos expedientes e das tecnicalidades restritas a função de presidente do Banco Central, Neto é, isso sim, um impostor, um neoliberal “sangue puro”, sabotador da própria política econômica desenvolvimentista do Presidente Lula e disposto a sangrar o novo governo até seu óbito e que, mantendo esse sufocante gargalo especulativo, chegará inevitavelmente e o mais breve e que possamos imaginar.
A equação é dada, límpida e certeira: ou se muda a presidência do Banco Central ou se muda o ocupante do Planalto. Os dois juntos é algo absolutamente impossível e o tempo para tal mudança é breve, curto e sumário.
Angelo Cavalcante – Economista, professor da Universidade Estadual de Goiás (UEG), Itumbiara.
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